SAUDADE

A vista chega embaça

O coração triste dói

Saudade é bicho que rói

Voraz feito uma traça

Ai de quem ela abraça

O cabra fica doente

Deixando o pobre vivente

Leso, falando besteira

Saudade não é peixeira

Mas corta o peito da gente

Tenho pra mim que a saudade

Tem as garras de um coiote

Certeira nos dá o bote

E o nosso peito invade

Causando uma ansiedade

Que tortura corpo e mente

A bicha é renitente

Bem pior do que coceira

Saudade não é peixeira

Mas corta o peito da gente

A danada é tão tirana

Comparo com Lampião

Que arranca o coração

De uma forma desumana

Tem que ser paraibana

De alma dura, valente

Pra não cair derrepente

Em depressão traiçoeira

Saudade não é peixeira

Mas corta o peito da gente

Mote: Poeta Adevaldo

Glosa: Luciene Soares

Luciene Soares
Enviado por Luciene Soares em 05/08/2008
Reeditado em 17/05/2019
Código do texto: T1113650
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.