CUM SODADE DA SODADE/QUI DE MIM TU JÁ SINTIU...

CUM SODADE DA SODADE

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU...

Literatura de Cordel

Autor: Bob Motta

N A T A L – R N

2 0 0 8

Me arresposte, meu amô!

Pru quê nóis dois briga tanto ?

Num tem razão êsse pranto,

nem tem razão essa dô.

Quero sintí teu calô,

do amô qui sempre ixistiu.

Nosso amô num sucumbiu,

mais tô, a bem da verdade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Num carrego ninhum pêso,

na cunsciença, eu lhe juro.

Qui nem fogo de munturo,

o meu cuntinua acêso.

Dispôi de morto, já têso,

ninguém dirá qui me viu,

dizê qui o amô sumiu,

na praia, campo ô cidade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

O amô é um pirulito,

aiguns diz qui assim é,

pruquê cumeça no mé,

e termina no palito.

Nisso eu num acredito,

meu peito num se oprimiu.

In sonho tu me surriu,

chorei de felicidade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Meu amô, minha querida,

me arresposte, inté quando.

Tu cuntinua me amando,

inté o fim da minha vida ?

Teu peito me deu guarida,

quando o amô in neu surgiu.

Num diga qui disistiu,

de mim, pois choro à vontade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Quando um côipo de jurado,

se dicide de repente,

ais vêiz curpa o inucente,

ôtas vêiz livra o curpado.

Num condene eu, seu amado,

qui já chorô, já surriu,

qui te ama, repetiu,

cum tôda sinceridade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

A vida feliz, sonhada,

sempre tive a procurá,

porém só fui incontrá,

ao teu lado, minha amada.

Quis te amá de madrugada,

surrindo, tu cunsintiu.

A lembrança me invadiu,

rescordando a mocidade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

In sonho acindí teu facho,

sem ninhuma reprimenda,

lá no sertão, na fazenda,

na bêrada do riacho.

Teu côipo de riba abaixo,

tôdíin se discuntraiu.

Tu se arrupiô, surriu,

acordei prá realidade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Fui mais tu para um pernôite,

in prena bêra da praia,

in riba d’uma catráia,

cum o vento fríi in açôite.

E mêrmo cum o fríi da nôite,

a gente num se cubriu.

Munto arrupêio nóis sintiu,

me alembro e me dá vontade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Na latada do terrêro,

arrelembro no momento,

qui a cangáia do jumento,

nuis sirviu de travissêro.

E te dei tanto do chêro,

chega você se assubiu.

Seu poeta dirmilinguiu,

naquele amô à vontade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

D’um aimadô prá parêde,

num chamêgo de lascá,

naquele vem cá, vai lá,

nóis fizemo amô na rêde.

Era verão, dava sêde,

logo a gente se dispiu.

Lembro qui a mundiça viu,

a nossa cumpricidade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

No salão de chão batido,

no machucado de um xote,

fui chêrando o seu cangote,

e arribando o seu vistido.

O danado era cumprido,

mais num sigundo subiu.

O seu trovadô surriu,

na pôca quilaridade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU.

Quando nós se cunhincêu,

fiquei feliz prá xuxú.

Eu grelei uis zóio in tu,

tu grêlô uis zóio in neu.

E o mió acunteceu,

nossa paixão ixistiu.

Meu sangue fêiveu a mil,

e hoje eu choro de verdade,

CUM SODADE DA SODADE,

QUI DE MIM TU JÁ SINTIU...

Autor: Roberto Coutinho da Motta

Pseudônimo Literário: Bob Motta

Da Academia de Trovas do RN.

Da Um. Bras. De Trov.-UBT-RN

Do Inst. Hist. E Geog. Do RN.

Da Com.Norte-Riog. De Folclore.

Da Ass.Poetas Pop. Do RN-AEPP.

Da Um. Cord. Do RN-UNICODERN.

Do Inst. Hist. E Geog. Do Cariry-PB

Site: www.bobmottapoeta.com.br

E-mail: bobmottapoeta@yahoo.com.br

Telefone:(84) 9965-6080

Bob Motta
Enviado por Bob Motta em 23/09/2008
Código do texto: T1192737
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