PAIXÃO DE CRISTO - Mini Cordel Matuto

Seu dotô, faiz munto tempo,

qui êsse fato acunteceu.

Munto mais de dois mil ano,

dixe mãe, contando a eu.

Quando numa cruz, apregaro,

e sem dó, crucificaro,

e Jesus Cristo morreu.

Jesus andava apregando,

o amô aos inimigo.

Misericórdia e perdão,

murtipricô pão e trigo.

Transfoimô água in víin,

chêi de amô e caríin,

num se falava in castigo.

Madalena, persiguida,

de Jesus se acêicô,

da murtidão inrraivada,

in Jesus se imparô.

Jesus lhe dixe: Eu garanto,

lavô meus pé cum seu pranto,

cum seus cabêlo, inxugô.

Pode ir in paiz, Madalena,

siga seu camíin na paiz.

O seu arrepindimento,

tem valia inté demais.

E quanto aos teus pecado,

já tá tudíin perdoado,

pode ir e num peque mais.

Adispôi disso, Jesus,

na cruz, entre dois ladrão,

pidiu água, dero fé,

sem quaiqué cuntempração.

A naturêza chorô;

nem o fíi do Criadô,

se livrô-se da traição.

Jesus tinha, tava iscrito,

no mêi duis seus siguidô,

um cabra chamado Judas,

qui na ceia, lhe bêjô.

E o bêjo, pode apostá,

de Judas, era o siná,

cum qui êle lhe atraiçuô.

Chorô, uis ríi e uis má,

chorô tôda a naturêza,

chorô ais frô, uis animá,

uis rico e a pobrêza.

Chorô uis campo, ais cidade,

chorô tôda a humanidade,

pode ficá na certêza.

Jesus sabia de tudo,

e aguentô tudíin calado.

Suô sangue, lacrimejô,

mêrmo assim, resiguinado;

foi intregue aos seus aigóiz,

fêiz isso in favô de nóis,

prá nuis livrá duis pecado.

Êle deu a sua vida,

P’ru todos nóis, in verdade.

Perduô nossos pecado,

na maió tranqüilidade.

Inda hoje: Deus, nuis acuda!

Tem uma ruma de Judá,

assolando a humanidade.

Mais, quem sô eu prá jurgá;

Meu Jesus, Nosso Sinhô ?!

Minha Santa Virgem Maria,

rogai p’ru nóis, pecadô!

Peça a Deus, prá nóis, intão,

p’ráis nossas fáia, perdão,

misericórdia e amô...

Bob Motta

NATAL-RN

22.Abr.2011

Bob Motta
Enviado por Bob Motta em 22/04/2011
Código do texto: T2923844
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