O CASÓRIO DO LIBÓRIO

O CASÓRIO DO LIBÓRIO
Jorge Linhaça

Me convidaram prum casório
lá pras bandas e Gravataí
o noivo era o tchê Libório
a noiva uma tal de Sueli
Na igreja de Santo Honório
fui o tal casório assistir

Tava tudo nos conforme
o padre seguia a ordenança
sob a imagem de São Jorge
mandou trocarem alianças
e aqui é que o couro come
e começou a lambança

A noiva todinha faceira
com ares de prima dona
sacou do buquê a coleira
e disse , agora sou sua dona
Ai que tu faça besteira
te espremo igual sanfona

O povo ficou abestado
O Libório empalideceu
O padre, pobre coitado,
um enfarte quase sofreu
Por tudo que é mais sagrado
Isso nunca aconteceu

A noiva sem se importar
pro boxixo que causou
ali mesmo diante do altar
o Libório encoleirou
deixando o coitado sem ar
e quase que o enforcou

Segue logo a cerimônia!
falou com ar de autoridade,
e sem a menor parcimônia,
arrastou o pobre pela nave
e falou pra dona Antonia
Teu filho é meu, já é tarde.

E lá foi o Libório puxado
sem nem esboçar reação
qual cachorro amestrado
as quatro patas no chão
com ar de desconsolado
de galo véio sem esporão

Só faltou latir o Libório
ou a cola ele abanar
igual um cusco simplório
que vê a dona chamar
ou cordeiro de ofertório
sacrificado no altar

E foi assim seu moço,
o casório que assisti
de coleira no pescoço
o noivo sem resistir
só dizia num muxoxo
Eu mereço, Sueli...