AS TRAGÉDIAS DE MARIANA E BRUMADINHO!!!

É mais uma tragédia anunciada

Que está figurando entre as demais,

Enlutando a nossa pátria amada

A segunda lá em Minas Gerais,

Onde sanha cruel da raça humana,

Invadiu Brumadinho e Mariana,

Pela busca infeliz de farta grana,

No extrato daqueles minerais.

Tantas vidas se foram e jamais

Para o mundo dos vivos voltarão,

Tantos sonhos, e tantos ideais,

Enterrados na lama agora estão,

Misturados ao lixo do minério

Que é nocivo danoso e deletério

Transformando num grande cemitério

Todo vale do Córrego do Feijão.

Mariana sofreu com a ação

Da ganancia infeliz do ser mesquinho

Desde que a cruel devastação

Invadiu de repente o seu caminho,

Quando no rompimento da barragem,

De rejeitos, mudou a paisagem,

Hoje aquela macabra e triste imagem

Cria o mesmo cenário em Brumadinho.

Bruscamente o povo ribeirinho

Sem aviso e pegado de surpresa,

Foi tragado e muito rapidinho,

Pela fúria inclemente da represa,

Arrastando humanos e animais,

Casas carros e bens materiais,

Pelas falhas constantes e reais,

Só por puro descaso da empresa.

O desastre que atinge a natureza

Poluindo cascatas, vales, rios,

Dá a prova aviltante que a vileza

Está aquém dos valores e dos brios,

Porque age sem zelo e com maldade,

Com cobiça, com indignidade,

Na certeza que a impunidade,

Sempre irá superar os desafios.

Brumadinho com seus gritos vazios

De tormento furor e amarguras,

Em lamentos soturnos e sombrios,

Amargando a pior das desventuras

Ao ver mortos os seus queridos entes

Sejam pais, filhos, netos ou parentes,

Em cortejos horrendos, deprimentes,

Transportados pras frias sepulturas.

Aflição dissabor, dores, agruras,

Brumadinho de fato tem de sobra,

Abalando as mais firmes estruturas

Com o efeito infeliz dessa manobra,

Quando a sorte lhe deu um xeque-mate,

E os bombeiros se irmanam num combate

Desgastante e em conjunto no resgate

Encarando uma enorme mão de obra.

Dia e noite na luta se desdobra

No intuito e na firme esperança,

Com a fé que refaz e que recobra

Na medida em que o tempo avança,

Removendo o teor daqueles fossos,

Que estavam retidos nos tais poços,

Na espera de achar entre os destroços,

Ainda vivo o adulto ou a criança.

Necessita que haja uma cobrança

Veemente aos nossos governantes,

Para que seja feita uma mudança,

Nessas leis, que são pouco interessantes,

Para que a justiça nesses casos,

Aja rápido sem estipular prazos

E não seja mais um entre os descasos

Antes que venham outros semelhantes.

E em tempos quase concomitantes

Foram duas tragédias que se deram,

Sendo as mesmas de formas semelhantes,

Há três anos em Mariana esperam,

Pra que haja as novas construções,

Prometidas para as habitações,

Assim como as indenizações,

E os recursos que ainda não vieram.

Mas, as mineradoras não ponderam,

Nem meditam só fazem apelar

Os pedidos são muitos que fizeram

Pra justiça vivendo a protelar,

Adiando os tramites do processo,

Sem as vítimas sequer terem acesso,

Esperando há anos sem sucesso,

Pelo embolso, e eles sem pagar.

Rio doce levou até o mar

Provocando a maior devastação,

Todo limo que estava a repousar,

Na barragem macabra de Fundão,

Matou, peixes, pessoas, plantações,

E até hoje está sem condições,

Pra que o povo daquelas regiões,

Veja a vida outra vez se propagar.

Brumadinho agora vem mostrar

O descaso dos homens do poder,

Que se omitem, e sem fiscalizar,

Uma palha sequer irão mover,

Sem que haja alguma melhoria,

Bem provável será que qualquer dia,

Tenha outra barragem em avaria,

E o perigo que venha a se romper.

Isso não é agouro, pode crer!

São apenas meras suposições

Necessário se faz se precaver,

Pra depois não haver lamentações,

Pela perda total do ecossistema,

É melhor que planejem um esquema,

Pra sanar de uma vez esse problema,

Que afeta as futuras gerações.

Pra que cheguem a firmes conclusões,

Abraçando essa causa com respeito,

Com estudos de grandes proporções.

E assim possam surtir um bom efeito,

Pondo um fim nesse mar de sofrimento,

Inovando ao fazer melhoramento,

E ao gastarem bilhões no investimento,

Dar bem mais segurança ao que for feito.

Ao fazer meu cordel senti no peito

Uma dor doer mais do que espinho,

Procurei me conter não houve jeito,

Vi meu pranto escorrer devagarzinho,

Lamentando o passado em Mariana,

E essa nova tragédia desumana

Que se deu no final dessa semana,

Na represa de lama em Brumadinho.

Carlos Aires

28/01/2019

Carlos Aires
Enviado por Carlos Aires em 29/01/2019
Código do texto: T6561929
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.