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Catharina, a porca

ATENÇÃO: Todos os personagens desta história, com exceção dos animais, são verdadeiros e estão vivos, portanto: qualquer semelhança com fatos e pessoas NÃO É mera coincidência.


Sendo este um caso verídico
Esta história eu vou contando
É sobre a vida de Catharina
Quem a conheceu ficou amando
Catharina nasceu porca
Seu destino contrariando.

Porém antes de seu nascimento
Sobre sua mãe quero falar
Tinha Gironda como nome
Porca grande de se admirar
Comprada no sul de minas
Vindo para Monteiro morar.

Viajou durante a noite
Driblando a fiscalização
Paulo foi quem a trouxe
Com auxílio do amigo João
Morador do bairro dos Sousas
Que nunca o deixara na mão.

Comprara de Mané seu primo
Por cento e quarenta reais
Pagando a vista e em dinheiro
Como fazia seus Pais
Mudando o destino da porca
Oriunda de Minas Gerais.

Já em terras paulistas
Foi levada para cruzar
Aquela porca formidável
Com algum porco do lugar
Necessitando de mais auxílio
Com o amigo João foi falar.

Não demorou uma semana
A questão estava resolvida
Gironda se encontrava prenha
Sentindo-se feliz da vida
Com novo dono e morada
Chiqueiro, cama e comida.

O tempo como de costume
Ia passando rapidamente
E todos que a conheceram
Diziam muito contente
Esta porca em breve será
A alegria de muita gente.

Ao final da longa espera
Dos dias a dedo contado
Reparando em sua barriga
Paulo havia comentado
Esta porca não aparenta
A gravidez de seu estado.

A dúvida se instalou
A respeito do acontecimento
Criadores dos mais renomados
Deram o seu depoimento
Chegando a triste conclusão
Que não haveria parimento.

Uma certeza era única
Paulo tinha sido enganado
Esta porca não pegara cria
Ficando em seguida combinado
Que na semana seguinte
Pelo abate seria solucionado.

O dia ficou já decidido
Tudo estava preparado
Gironda viraria lingüiça
Se não fosse por alguém alertado
Esperaremos mais alguns dias
Tio George falou acertado.

Uma noite foi necessária
Para que a surpresa se revelasse
Nascendo treze porquinhos
Sem que ninguém esperasse
Ailton foi quem primeiro viu
Antes que alguém acordasse

Um problema novo surgiu
Naquela solene ocasião
Sendo Treze recém-nascidos
Haveria com certeza confusão
Doze tetas tendo Gironda
Dificultaria a amamentação.

Obrigado pela necessidade
Uma das filhas lhe foi tirada
Nos braços de Rafael
Para São José foi levada
E com auxílio de uma mamadeira
Por Terezinha foi criada.

Para nova integrante da família
Um nome foi sugerido
Por se tratar de uma fêmea
Catharina foi escolhido
Sendo adotado por todos
Ficando assim decidido.

Catharina fez logo amizade
Com uma cadela que ali vivia
Tinha por nome Nala
Cachorra de muita simpatia
Dividindo logo com a porquinha
Sua casinha para moradia.

Vejam como é a natureza
Que a muitos causa admiração
Dois animais tão desiguais
Vivendo assim nesta união
Dormindo muitas vezes juntas
No mesmo tapete do chão.

Porém chegou um momento
Que o convívio não era permitido
Catharina tornara-se grande e forte
Com bom trato tinha crescido
Tendo que retornar ao sítio
Onde antes tinha nascido.

Com sentimento transparente
Chegou a hora da despedida
De Felipe, Terezinha e Rafael
Deu adeus para a partida
Deixando seu antigo lar
Dando rumo a sua vida.

Retornando ao seu antigo lar
Com a mãe e irmãos foi colocada
Tudo parecia tão estranho
Por todos foi analisada
Não tendo nem cheiro de porca
Foi imediatamente rejeitada.

Como o chiqueiro a recusara
Passou a viver soltinha
Divertia até mesmo as visitas
Com os hábitos que ela tinha
Sendo até considerada
A mascote de Terezinha.

Mas o tempo como sempre
Encarregou-se da mudança
Era chegado o momento
A reprodução era a esperança
Conheceu o porco cabeção
Com quem fez logo aliança.

O resultado desta união
Após cem dias surgia
Sob o cuidado de todos
Catharina se desenvolvia
Nove herdeiros ela teve
Dando seqüência na dinastia

Sobre o final desta história
Paulo não tem narração
O destino destes animais
Não quis ter na sua mão
Deixando a outros criadores
Quando deixou o sertão.

Hoje apenas lembranças
E lições que nos ensina
Aprendemos com os animais
Muito mais que se imagina
Melhor exemplo é esta história
Da porquinha Catharina.
Paulo Kostella
Enviado por Paulo Kostella em 05/10/2007
Reeditado em 13/03/2008
Código do texto: T681951

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Sobre o autor
Paulo Kostella
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 58 anos
922 textos (181452 leituras)
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Paulo Kostella