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NORDESTINANDO EM GALOPE A BEIRA MAR!!!


Vou falar um pouco desse meu Nordeste
Do seu linguajar e do seu idioma,
Porque é só nosso sei que ninguém toma,
Pois de muita graça ele se reveste,
Eu sou nordestino e sou “cabra-da-peste”
E adoro ser filho desse meu lugar!
Por isso é que agora no meu poetar
Nem sequer procuro falar diferente
Só porque adoro essa língua da gente,
Descrevo-a em galope na beira do mar.

Eu sou nordestino do que fala “oxente”
Do que diz “prumode” “pruque” e “pruvia”,
Que fala “aprecata” do que diz “avia”
Que diz “trupicão e que fala sofrente” ,
Quem morre de enfarte “morre de repente”
E com esculhamba diz “avacalhar”
Que em vez de fugir faz é “arribar”
Diz “dismilinguido” “fubento” e “folote”
E que com cascudo diz que é “cocorote”
Afirmo em galope na beira do mar.

Quando é muita gente diz que é um “magote”
Que diz “disgamado” em vez de atrevido,
Pessoa metida se diz “inxirido”!
Quem conversa asneira é “miolo de pote”
Com um rapazola diz que é um “frangote”,
No lugar de engana diz “engabelar”,
Que com passar a roupa se diz “engomar”,
Com o que tem dinheiro diz que é “estribado”
Com o que nada tem diz que é um “lascado”
Explico em galope na beira do mar.

Quem tem muita pressa tá é “avexado”
Quem deve e não paga é um “caloteiro”,
O que anda “liso” está sem dinheiro,
Se alguém tá nervoso tá é “zuretado”
Chama “tabacudo” com o abestalhado,
Tudo que está “troncho” precisa aprumar,
Quem rir caçoando está a “mangar”
O que está com raiva está “invocado”
E se alguém se abraça fica é “encangado”
Eu digo em meu galope na beira do mar.

Aquele que é bobo é um “alesado”,
Diz-se “bafafá” “badoque” e “bixiga”,
Fala-se uma “arenga” quando é uma briga,
Tudo quanto é bom diz que é “arretado”,
Se, comeu demais ficou “empaxado”.
Diz vou “dá um grau” se vai caprichar,
Com descontrair diz “desopilar”,
Todo grandalhão é um “galalau”
Sendo magro e alto é um “varapau”
Explico em galope na beira do mar.

E assim terminei de mexer meu mingau,
 Com o nosso sotaque tá bem temperado,
Depois de fervido e bem cozinhado,
Lavei a panela e emborquei no jirau
Vai ter quem me ache um “cara –de –pau”
Que inventei tudo para exagerar,
Esses dialetos lá em meu lugar
Por muitos ainda hoje em dia é falado
E assim eu deixei em cordel relatado
Nesse meu galope na beira do mar.

Carlos Aires
29/06/2020
Carlos Aires
Enviado por Carlos Aires em 29/06/2020
Código do texto: T6991521
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos Aires
Carpina - Pernambuco - Brasil, 68 anos
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Carlos Aires