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Revisão de Literatura (1ª série, E.M.) em versos de cordel

E eis que a literatura do ano anterior
falou de tantos assuntos...
Antigos e profundos,
Humanos e outros parecendo de outro mundo.

Muitas vezes do amor e suas complexidades,
O Feudalismo fez o trovador,
Um poeta lírico,
Falando de amor,
No Trovadorismo,
Em meio a sofrimento, perda e dor.

“Mia senhor fremosa”,
Já dizia em galego português,
Deste sentimento, do vassalo eu lírico,
Na cantiga de amor,
de um eu lírico masculino sofrido, coitado,
de amor platônico, idealizado, submisso.

“Ai Deus e u é”,
Canta o eu lírico,
Com voz de mulher,
Seria a cantiga de amigo,
Com amor possível,
Mas desentendido.
Por uma partida para a guerra,
E o sofrimento de perder
seu amado marido.

Mas não só de amor,
Trova o cantador português,
Mas também de sátira,
Alguns deles se fez.
Satirizando os vícios e mazelas,
desde do vassalo ao suserano,
da beata ao menos puritano,
deste povo lusitano.

Em alguns momentos,
a crítica é mais sutil,
Na cantiga satírica de escárnio,
O satirizado não é envergonhado,
Ao menos não se sabe quem é,
Vergonha ele passa,
Mas ao menos fica o segredo guardado.

Uma zombaria ferrenha,
A cantiga de maldizer faz,
Por vezes até palavras torpes e assuntos sensuais,
Algo totalmente descabido,
Denuncia as pessoas que faziam algo errado,
Seja visível ou escondido.

Ainda no Trovadorismo,
Tem os romances de cavalaria,
Trazendo histórias de heróis,
Cavaleiros e rainhas,
Algo bem idealizado,
Com guerra e fantasia.

Um romance que fez história,
E foi uma sátira bem sagaz,
É de Cervantes,
“Dom Quixote”, homem não tão perspicaz,
Que participa de aventuras,
Quase todas nada reais.

Continuando a prosear
Ou melhor, teatralizar?
Um outro contexto se dá,
O homem se dizia Teocêntrico,
Apesar que, na prática,
víamos o querer do homem reinar.

Neste movimento seguinte,
O nome dele já diz,
Homem é o centro das preocupações,
Humanismo é quem diz.
Maior representante dele,
Foi o autor português,
Gil Vicente com seus autos,
Denúncia os vícios e problemas,
De todas pessoas,
Desde o mais pobre ao mais abastado.

Ele falou do Juízo final,
Salvação e condenação.
Mas a visão dele católica,
Acreditava na força humana,
Para, através das boas obras,
Tentar o homem obter a própria salvação.

Sua obra mais famosa,
Deu origem a tantas outras,
“Auto da barca do inferno”,
Livro que trata de diversas formas,
De como a imoralidade,
Não ia ficar impune,
Era uma obra moralizante,
Com o viés reflexivo e encenada a qualquer instante.

Em um contexto seguinte,
No Renascimento artístico,
Retorno às culturas clássicas se fez,
Classicismo literário,
Tendo o representante,
Luís Vaz de Camões,
Considerado o maior poeta português.

Falou muito de amor,
Através de suas complexidades e contradições.
Contente descontente,
Companhia e solidão,
Antíteses e paradoxos,
Usava com imensidão,
Como a gota d´água
está presente na inundação.

Um dos clássicos de Camões,
Diz do povo lusitano,
“Os lusíadas”, grande epopeia,
Tendo o sagrado e o profano,
Misturando lendas e fatos,
De uma vontade do português,
Expandir os territórios
E conquistar os corações humanos.

E mudando de cenário,
Vem o Quinhentismo,
Trata do Brasil,
Escrita pelos portugueses,
Mas sobre o povo varonil.

Tem a famosa “A Carta”,
Do escrivão mor, Pero Vaz de Caminha,
Descrevendo fauna, flora,
Indígenas, riquezas e o mais que veria,
Eis a literatura de informação
Uma escrita objetiva,
Quer você queira, quer não.

Também tem José de Anchieta,
Sabido padre português
Escrevendo poemas e peças,
Fala do catolicismo,
Usando o tupi e a cultura indígena,
Obras como “Auto de São Lourenço”,
Aos índios, de forma pedagógica, o fez.

Barroco já é um período
Muito diversificado
Havia a Reforma Protestante
E a Contrarreforma atacado.
Neste contexto surgiu,
Na literatura do Brasil,
Um nome bem questionado,
Gregório de Matos Guerra,
Apelidado Boca do inferno,
Escreveu diversos temas,
Amor, arrependimento,
preocupação com o terreno e com o eterno.
Usava termos eruditos e também de baixo calão,
Era um poeta contraditório,
Oras confessando suas culpas,
Oras indo para condenação.

Também um outro nome importante
Foi um outro padre português,
Antônio Vieira, famoso pelos sermões,
Da Sexagésima e tantos mais,
Dialogando com a Bíblia,
Coisas comuns, da vida humana e de seus ideais.
Conceptismo e cultismo,
Jogo de ideias e de palavras,
Ambos autores usavam,
Na escrita rebuscada.

Por fim, outro estilo que muito marcou,
Arcadismo ou Neoclassicismo,
Voltando ao clássico,
Mas com a diferença da natureza reinar,
Bem como o bucolismo e termos em latim,
a torta e direita se passaram a usar.
Carpe diem, cabe a vida aproveitar,
Aureas mediocritas, minimalismo é o lugar,
Locus amenus, viver na simplicidade,
Fugere urbem, indo para o campo,
Fugindo da cidade.

No Arcadismo, um dos autores mais famosos
é meio brasileiro, meio português,
Tomaz Antônio Gonzaga,
Português, de nacionalidade,
Brasileiro, de coração
Diz-se enamorado por uma jovem,
Maria Dorotéia, a musa de seus versos então,
Ela, era Marília,
e ele, Dirceu,
em um ambiente campestre,
sem qualquer ostentação.

Mas como diz um meme,
Bem conhecido nos dias atuais (2020 / 2021),
Enfim a hipocrisia,
O ser humano que diz uma coisa,
Mas cuja atitude foge de seus ideais.
E assim o poeta árcade,
Diz amar o meio rural,
Mas vive bem na cidade.

De forma meio resumida,
Nestes versos foi contada,
A Literatura do 1 ano,
Trazendo diversos temas,
da sociedade e
Do ser humano.
Isabel Lima F
Enviado por Isabel Lima F em 03/02/2021
Código do texto: T7175351
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Isabel Lima F
Alagoinhas - Bahia - Brasil, 36 anos
184 textos (10664 leituras)
4 áudios (91 audições)
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Isabel Lima F