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O CARNEIRO, O CACHORRO E O AÇOUGUEIRO

A Cena   (real, em algum lugar na iternet)
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Um carneiro, já abtido, está pendurado pelo pescoço e pata direita numa viga externa de um aparente ranchinho, numa região varziana de uma cidade qualquer…  A pele, parcialmente tirada na parte de cima do animal, cobre ainda o resto de seu corpo, dos membros superiores para baixo.

Um pequeno recipiente no chão, parecendo um latinha, coleta o sangue que escorria do pobre animal, de onde um cão vira-lata concentradamente se serve,  como se fosse sua única refeição do dia.

À ponta da pele solta do carneiro,  uma corda amarrada.  A outra extremidade da corda, o açougueiro prende na traseira de uma moto, como que sobre o bagageiro.

Anunciando o evento que está por acontecer, o açougueiro sobe na moto,  dá a partida e arranca por alguns metros, puxando por inteiro a pele do carneiro, que é arrastada pelo chão de terra empoeirado do lugar.

Nesse movimento, a animal morto balança para lá e para cá, como um pêndulo de antigos carrilhões, assustando o cão e, numa de suas badaladas, chutando-o para fora da cena, afastando-o de seu baquete, como que num último ato de vingança.

O açougueiro, no entanto, celebra jubilante por sua bem-sucedida engenhoca de estripar a pele do já sofrido carneiro… (Claro que, devidamente, usando máscara facial para prevenção contra a Covid-19).

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Aí, o poeta Tiago Duarte escreveu assim…

        Ficou sem couro o carneiro
        E foi tirado ligeiro
        Eu não sei quem viu primeiro
        A ideia, nota dez
        Sem ninguém pôr sua mão
        Quem não gostou, foi o cão
        Tava comendo a ração
        Carneiro meteu seus pés!


E o poeta George Gimenes escreveu assim…

        Ôxe, ninguém interveio
        Neste triste aperreio,
        Minha nota é menos meio
        Para esse açougueiro;
        O cachorro se assustou,
        De banda saiu, pulou,
        Mas quem mesmo não gostou
        Foi o pobre do carneiro!

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George Gimenes e Tiago Duarte
Enviado por George Gimenes em 14/02/2021
Reeditado em 26/02/2021
Código do texto: T7184286
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
George Gimenes
Cambridge - Ontario - Canadá
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George Gimenes