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O VALENTÃO ZÉ BENTO E O PEQUENO CIÇO COM UM PEDAÇO DE GIZ
AUTOR: JOEL MARINHO
Nunca meça um ser humano
Por tamanho ou pela cor
Nada disso é importante
Todos nós temos valor
Não acreditando nisso
Zé Bento “tirou” com Ciço
Porém a “boca rasgou”.
 
Zé Bento era um sarará
Cerca de um metro e noventa
Como já era costume
A sua marra nojenta
Quando ele no bar chegava
Todos a ele adoravam
Senão ele quebrava as ventas.
 
Ciço era um “Zé Ninguém”
Tratando-se de altura
Talvez um metro e cinquenta
E sem muita envergadura
Dava pena até de ver
Aquele pequeno ser
Com um olhar de candura.
 
No bar que Bento bebia
Ele nunca havia entrado
Morava em outro bairro
Um pouco mais afastado
Ouvira falar de Bento
Porém já fazia tempo
Que nem estava lembrado.
 
Ciço entrou no bar primeiro
E pediu uma cerveja
Pegou o taco e chamou
Um outro pra uma peleja
De um joguinho de bilhar
Pois gostava de brincar
Com um tira gosto em bandeja.
 
Tinha um som animado
Umas pessoas dançando
Tudo em plena harmonia
Ciço animado jogando
Gritou um cara ali dentro
Chegou o grande Zé Bento
A paz está se acabando.

Quando Ciço ouviu o nome
Alguma coisa lembrou
Porém nem deu confiança
Quando o Zé Bento entrou
Zé Bento pegou um taco
E já foi dando pitaco
Depois que Ciço jogou.
 
Foi logo gritando alto
O ganhador é você?
Ciço disse: não senhor!
Vim aqui para aprender
Porém hoje estou com sorte
Talvez isso me conforte
E deu força pra vencer.
 
Quando a partida acabou
Ciço sentou no cantinho
Zé Bento disse, você
Que ganhou do meu vizinho
Se apronte para apanhar,
Porém não vale roubar
Eu não tolero mesquinho.
 
Ciço ainda recusou
Já temendo um entrevero
Zé Bento falando sério
Disse, eu quero um parceiro!
Você vai jogar agora
Se não quiser caia fora
Não gosto de forasteiro.
 
Ciço então pegou um taco
E “ensaboou” de giz
Zé Bento disse, comesse
Seu filho de meretriz
O “baixinho” se calou
E o jogo começou
Porém não muito feliz.
 
Já na primeira tacada
Meteu três bolas pra dentro
O sangue subiu as veias
Do desordeiro Zé Bento
E com mais quatro tacadas
Já estava determinada
O “bucho” no Zé nojento.

Zé Bento com tanta raiva
Quebrou o taco ao meio
Foi quando Ciço pensou
O negócio vai ficar feio
Bento gritava, ladrão!
Meteu a bola com a mão
Vou te amarrar no esteio.
 
Eu vou te dar uma surra
Igual se bate em menino
E já foi tirando o cinto
Bufando igual bovino
Ciço pensou em correr
Mas já não podia ser
Só esperou seu “destino”.
 
E como arma pegou
Só um pedaço de giz
E o valentão gritando
Eu vou quebrar teu nariz
Cada lambada que dava
Somente o vento cortava
Zangava mais o infeliz.
 
Com meia hora de luta
Zé Bento todo riscado
E Ciço nada dizia
Pulando pra todo lado
Mais rápido que um corisco
Cada gingado era um risco
E o grandão mais zangado.
 
E até aquele momento
Ninguém entendia nada
Se o tal do Ciço tivesse
Nas mãos uma faca afiada
Já havia matado Bento
Que só batia no vento
Cansou de dar chicotada.
 
Foi quando Ciço meteu
A mão no cós e puxou
Um pequeno canivete
E como o diabo bradou:
Te apronta cabra de peia!
A coisa vai ficar feia
Vou cortar onde o giz marcou.

Zé Bento ouvindo aquilo
Gritou, minha Nossa Senhora!
Valei-me meu São José!
Já estou caindo fora
A coluna fez corcunda
E bateu com o pé na bunda
Desapareceu na hora.
 
Ciço então foi ao balcão
Pediu mais uma cerveja
E também um tira gosto
Queijo coalho e umas cerejas
Falou ao dono do bar
Ponha a música pra tocar
E aqui ninguém braveja.
 
Dizem que dessa carreira
Correu do Nordeste ao Sul
Dizem até que enlouqueceu
Daqueles de andar nu
Se é verdade eu não sei
Porém foi cantar de rei
No bico do urubu.
 
Ciço ali tornou-se o cara
Chamado, de o libertador
Desde que Bento correu
Naquele bar, paz reinou
Ganhou ingresso vitalício
Rebatizaram o bar de Ciço,
Paz, Harmonia e Amor.
 
E ficou uma lição
A todos que assistiram
Aquela grande peleja
Até hoje se admiram
Um homem de um metro e meio
Fez um grandão correr feio
Zé Bento nunca mais viram.
 
Jamais meça um ser humano
Pelo tamanho ou por cor
Não desdenhe de ninguém
Porque todos tem valor
Não dê uma de marrento
Para não ser um Zé Bento
Nesse circo de horror.

Preconceito só destrói
A quem sofre e a quem comete
A História é testemunha
Toda vez que se repete
Mata o preconceituoso
Porque ele é invejoso
É um cretino da peste.
 
E quem sofre o preconceito
Vive e jamais terá calma
Diferente de uma facada
A cicatriz é na alma
Então não fale besteira
Dizendo ser brincadeira
E ao outro causar trauma.
 
Ou então tornar-se um Bento
E sair traumatizado
Viver no mundo sem tino
Como se diz, “abestado”
Abaixo o preconceito!
Ao outro tenha respeito!
Pra também ser respeitado.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 04/05/2021
Reeditado em 04/05/2021
Código do texto: T7248280
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Joel Marinho
Manaus - Amazonas - Brasil, 46 anos
1546 textos (22315 leituras)
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Joel Marinho

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