A leitura de dados do IBGE que fiz há  dias deixou-me apreensivo. Que em 2013 o  País  registrou uma queda no  índice de fecundidade  de 2,1 para 1,9 filhos por mulher. Que isso vem diminuindo substancialmente e que, acaso,  esta situação permanecer ou se agravar, em 2040 chegar-se-á a uma situação insustentável, com uma idade média acima dos 50 anos e um predomínio de idosos sobre população ativa superior a 1.6. A previsão lógica é que acabem as pensões de aposentadoria ou os ativos se revoltem com os impostos e taxas que terão que pagar. Dá o que pensar. Deu-me que pensar.
    Há poucos dias, por dever de ofício, fui visitar o Lar. Faço-o, por obrigação, quatro vezes por ano . Quando o faço, quase sempre regresso pra casa com algo para pensar. Os Lares são locais propícios para pensar na vida. A época do Natal é propícia igualmente para pensar na vida. Porque Ele também quis viver como nós. Mas não foram estes os meus pensamentos desta visita. A manhã estava ensolarada,  tinha um sol esplendoroso a vislumbrar-se.  Depois de falar com os mantenedores sobre assuntos administrativos, conversei informalmente com os residentes do Lar sobre o amor que Deus nos tem, um amor tão grande que o obriga a tornar-se o mais próximo de nós possível, assumindo uma vida igual à nossa, com sofrimentos e tudo mais.  Sentei-me para almoçar ao lado deles. Enquanto dava voltas ao frango, lembrei como vou juntar a minha família, naquela noite alegre, à volta do bacalhau. Por isso, e por curiosidade, perguntei quantos residentes iriam passar o Natal em  casa. Informaram-me que seriam 10 % no máximo. Como achei aquilo absurdo, insisti se não tinham filhos? A resposta deixou-me ainda mais espantado. Praticamente todos.
    E foi nesse momento que fiz as contas à vida. Pelo andar da carruagem, em 2040 os velhos serão em número muito superior aos novos e os pais aos filhos. Se já hoje os filhos não dão o mínimo de atenção aos pais, pior será quando o número de filhos for menor. Em 2040 passaremos o Natal sozinhos nos Lares de terceira idade. Praticamente todos.

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