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Boas Festas!

No meu tempo de infância/adolescência, nessa época do ano, quando dizíamos a um mais velho:
- Boas festas, tio(a);
E, se ele(a), nos respondesse:
- Obrigado e igualmente!
Simplesmente, essa resposta, era uma grande ofensa para nós, miúdos, que pensávamos que a expressão “Boas Festas” era utilizada para fazer pedidos de Prenda de Natal e/ou Ano Novo a alguém. Quer dizer, Boas Festas era a nossa forma de pedir dinheiro, bolo, bebida ou qualquer outra coisa dominante na Quadra Festiva, para além de ser a Saudação Predefinida nessa fase. Então, o mais velho que, na nossa saudação de boas festas, não pudesse nos dar nada, nem sequer nos fazer um convite para ir em sua casa, ou mesmo, uma promessa de nos dar algo no futuro, causava em nós uma grande tristeza e, arriscava ao preconceito nosso de o tratar de “cototó”, agarrado, mão-de-vaca, guincho, etc. - nomes que dávamos àquelas pessoas que nunca têm nada a dar ao próximo.
Na verdade, essa ideia de “Boas Festas” não existia só nas crianças, também em alguns adultos. Por isso, acredito que foi uma questão de educação nossa. Não sei se era por causa da pobreza que vivíamos mas, recordo-me que, naquela altura, só provávamos “boa comida”, bolo, gasosa (refrigerante) e víamos brinquedos só na Quadra Festiva, altura em que andávamos, grandes distâncias, em grupo (de famílias, amigos e/ou vizinhos) nas ruas da cidade e bairros, fazendo visitas de casa em casa, levando alegria e “buscando” Boas Festas. Era um tempo de muita diversão, onde cada um ficava bem vestido a sua maneira, com roupas novas (novidades do Natal e Ano Novo, que as vezes, adquiridas muito tempo antes da data) ou não. E, em cada casa, as portas eram franqueadas para qualquer visitante e, ninguém voltaria de lá com fome ou sede, pelo menos. Havia Respeito, Irmandade, Amor ao Próximo, apesar de todos serem, essencialmente, pobres!
Vivíamos uma inocência tal, sobre “Boas Festas”, pois, não nos passava à cabeça a ideia de ser um Desejo para o próximo passar bem a Quadra Festiva. Actualmente, de forma engraçada, recordo-me ainda que, muitas vezes, eu e outros, respondemos a um simples “Boas Festas” de alguém, com a seguinte frase:
- Não tenho nada para lhe dar!

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= Desejo a todos, especialmente a ti, caro leitor, um Próspero Ano Novo, na graça de Deus! =
Boas Festas!
(pelo menos um comentário. Kkkkkk)
José Cambinda Dala
Enviado por José Cambinda Dala em 28/12/2019
Código do texto: T6828601
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Cambinda Dala
Moçâmedes - Namibe - Angola, 36 anos
1093 textos (42040 leituras)
1 áudios (38 audições)
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