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@@ às vezes temos que fazer de tudo @@

Foi firme a entonação da sua voz. Eu que já a admirava, em nenhum momento ousei pensar numa resposta negativa. Claro que iria, afinal ela confiava em mim. Porquê não?

Tinha apenas 17 anos e, apesar de estar prestes a fazer vestibular, terminei me inscrevendo num curso para recepcionistas de congressos, promovido em Recife por uma empresa paulista. Como nunca gostei de pedir dinheiro, nem mesmo aos meus pais, achei que trabalhar em Congressos, que normalmente acontece nos finais de semana, não atrapalharia meus estudos. E não atrapalhou mesmo. Fiz o curso e comecei a ser chamada para os eventos.

Apesar de já ter dado aulas de dança, estava considerando que este realmente era meu primeiro trabalho, visto ter sido preparada em todos os aspectos para atuar em qualquer setor. Bem, na verdade, nem todos. 

Durante um Congresso de Pediatria, o maior que já trabalhei (8 dias), a diretora da empresa me chamou com a seguinte frase:

- Taciana, como temos que fazer de tudo na vida, vou pedir pra você me ajudar.

Pensei: "onde danado ela quer me colocar ainda?", visto que até recepcionando em hotéis eu já havia ficado. Eu realmente gostava de aprender tudo, mas não imaginei o que mais faltava.

O que ela me pediu neste dia, me fez titubear. Devido ao excesso de acompanhantes, faltaria guia turístico para ir num outro ônibus nos passeios turísticos por Olinda e Recife, por isso, ela havia lembrado de mim, que vinha demonstrando um bom desempenho em outros setores. 

Bom, pelo passeio, tudo bem, mas o que eu saberia responder sobre ruas, museus, igrejas, fortes e etc? Fui sincera à respeito, disse que iria, claro, mas não poderia dar explicações turísticas perfeitas (rsrs), nem de longe. Ela ficou feliz e eu, nem tanto, mas acabei achando que poderia ser uma experiência interessante.

No dia do primeiro passeio, pedi logo ao motorista do ônibus para me ajudar. Sou péssima em nomes de ruas, então me ajudaria ao menos nisso. O passeio começou bem, apresentava-lhes os bairros, conversei dizendo que estava ali pra ajudar, que na verdade não era Guia, etc, etc. Pedia pra ligar o som e ia conversando com eles. O ônibus estava lotado, o outro, onde realmente havia um guia,também.

Os problemas começaram nas visitas. Apesar de insistir parada no Mirante da Sé de Olinda, sabia que teria que entrar nas igrejas, claro. Apesar do meu esforço "- É de Olinda que se tem a melhor vista do Recife", eu tive mesmo que seguir adiante. 
Pedi para um daqueles meninos de Olinda, que sabem a história de cor, fazer lá sua "apresentação", mas parece que foi pior, quando perguntavam algo eles começavam tudo de novo. Bem, enfim, não poderia ficar mais por ali, rumo à igreja (e seja o que Deus quiser!).
Na primeira igreja, duas senhoras queriam saber quem havia pintado o teto, de  que ano eram os azulejos, etc. Nossa, era melhor que o teto tivesse caído em minha cabeça. Não tinha a menor noção. As perguntas variavam e eu cada vez mais sentindo-me a pior das ignorantes.
 
Voltando de Olinda, levei-os para uma sorveteria legal (isso eu conhecia bem). Adoraram. Tinha sorvetes maravilhosos. Mas foi lá também que nos encontramos com o outro ônibus e que soube que ainda iríamos em alguns museus , fortes e igrejas em Recife. Nossa, eu ia ser bombardeada no primeiro forte, sem dó nem pena. Dito e feito. 

Começaram as perguntas, mas eram sempre as mesmas senhoras. Os outros pareceram entender perfeitamente minha situação. Num museu, até uns paulistas brincaram comigo, mostrando uma arma e querendo saber se eu queria usá-la para eliminar as "senhôras". Eu estava mais relaxada, começava a brincar com eles. Porém, ao sair do museu, tive uma idéia. Pedi ao motorista para seguir o ônibus onde realmente havia um Guia (claro que devia ter pensado nisso antes) e expliquei a todos, que as perguntas deveriam ser feitas a ele,porém,  bater papo no ônibus e ouvir música, assim como sorveterias, seria comigo. Eles riram muito, mas adoraram. 

No Forte das Cinco Pontas, a única coisa que eu sabia era que Frei Caneca tinha sido ali, executado, no que um deles disse que nem sabia que ele tinha morrido (rsrs). Nessa brincadeira, fui levando e o passeio se tornou gostoso, sem tensões nem cobranças. Alguns então passaram a seguir o guia quando o ônibus parava, mas outros realmente queriam curtir o passeio e acabei ficando amiga de todos. Na despedida me disseram que me indicariam como a melhor guia do Recife. Tudo enfim acabou muito bem.No outro dia houve outro passeio, mas já estávamos entrosados e dei sorte de encontrar o próprio Francisco Brennand em sua Oficina.
 
Bem, depois disso, até pensei em fazer Turismo(rsrs) mas não fiz, fiz Administração (talvez fosse melhor Turismo, rsrs).

Bem, às vezes uma nova experiência pode ser boa, nesse caso, acho que valeu pela ajuda, pelas amizades e pelos passeios.
TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 07/07/2008
Reeditado em 07/07/2008
Código do texto: T1068971

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Sobre a autora
TACIANA VALENÇA
Recife - Pernambuco - Brasil
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TACIANA VALENÇA