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BOSSA NOVA... A COROA MAIS ENXUTA QUE CONHEÇO




Sabe gente, há algum tempo estou para escrever essa crônica. Uma crônica sobre BOSSA NOVA.  Ó BOSSA NOVA... Até pouco mais de um ano eu não me identificava com a bossa nova. Até que um dia voltando da casa de uma namorada que tinha, uma namorada que não é mais sabe?! Vasculhei o porta-luvas do carro e encontrei um CD assim meio abandonado, e tinha escrito : Doralice, bossa nova. Doralice é minha mãe. Aí, não sabia que dona Dora curtia batida de viola e solos de pianos chorando os mais puros acordes!

Sem pretensão alguma pus o CD prá tocar. E não sabia nunca que o carro que me fez capotar um dia, me ensinaria a flutuar nas letras do Tom e do Vinicius e lá na frente mergulhar no mar das doces músicas do Buarque.  Lembro-me que na estrada assim quando a viola começou a tocar saindo um som gostoso pelos alto-falantes do carro... Tom Jobim me dizia:

Olha que coisa mais linda mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa...

 Nisso eu ali a 100 km P/hr, minha adrenalina subindo e o ponteiro 110, 120, 130... em seguida vem toquinho e me manda uma tarde em Itapuã. Pena que eu não mais tenho o meu velho calção de banho, tampouco o dia prá vadiar. Mas beber uma água de côco sempre é bom!

Então vou te contar/ os olhos já não podem ver/coisas que só o coração pode entender/ fundamental é mesmo o amor/ é impossível ser feliz sozinho [...]

Ah... Com esses versos não me contive e ao invés de ir para a minha cidade – o caminho de volta da casa de minha namorada – voltei para o caminho de volta do meu amor, voltei para a casa de minha amada.

Chegando lá cantei prá ela: “menina, que um dia conheci criança me aparece assim de repente linda virou mulher...  menina, como pude te amar agora, te carreguei no colo menina, cantei prá ti dormir!”

Nos beijamos... Nos amamos. Embriaguei-me de amor como diz o poema PORRE:  “ eu quero é me embriagar de amor/para minha alma sair tombando/pelos cantos da escuridão/do deserto da demência/ de minha pobre sensatez/... Foi isso que a BOSSA NOVA  fez comigo, me jogou em minha própria lúcida loucura e me embebedou de amor.

Foi lindo quando Roberto Carlos no especial 50 anos de BOSSA NOVA, recitou  o soneto de fidelidade:


DE TUDO, AO MEU AMOR SEREI ATENTO
ANTES, E COM TAL ZELO, E SEMPRE, E TANTO
QUE MESMO EM FACE DO MAIOR ENCANTO
DELE SE ENCANTE MAIS MEU PENSAMENTO.

QUERO VIVÊ-LO EM CADA VÃO MOMENTO
E EM SEU LOUVOR HEI DE ESPALHAR MEU CANTO
E RIR MEU RISO E DERRAMAR MEU PRANTO
AO SEU PESAR OU SEU CONTENTAMENTO.

E ASSIM, QUANDO MAIS TARDE ME PROCURE
QUEM SABE A MORTE, ANGÚSTIA DE QUEM VIVE
QUEM SABE A SOLIDÃO O FIM DE QUEM AMA

EU POSSA ME DIZER DO AMOR (QUE TIVE):
QUE NÃO SEJA IMORTAL POSTO QUE É CHAMA
MAS QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE.

Claro que o Vinicius recitando-o é mais primoroso, mas o Roberto fez bem o papel encenando Vinicius. E só para matar vocês de inveja, tenho Vinicius num CD recitando sua antologia poética só prá mim. O desespero da piedade. E vivo escutando esse trecho...

[...] SENHOR, SEDE ENFIM/ PIEDOSO COM TODOS, QUE TUDO MERECE PIEDADE/ E SE PIEDADE VOS SOBRAR, SENHOR, TENDE PIEDADE DE MIM!

Assim, sempre levarei comigo também o ensinamento que o mestre Vinicius me trouxe: “

PARA VIVER UM GRANDE AMOR/ É PRECISO UM CUIDADO PERMANENTE/ NÃO SÓ COM O CORPO/ MAS TAMBÉM COM A MENTE/ POIS QUALQUER BAIXO SEU/ A AMADA SENTE/ E ESFRIA UM POUCO O AMOR/ [...]

Um eterno salve a BOSSA NOVA. As suas bodas de ouro!

E nesse exato momento estou escutando o Caetano – que é tropicalista, mas que vejo-o amar a bossa nova, cantando:

“VOCÊ VIU SÓ QUE AMOR/ NUNCA VI COISA ASSIM/ E PASSOU NEM PAROU/ MaS OLHOU SÓ PRA MIM/ SE VOLTAR VOU ATRÁS/ VOU PEDIR VOU FALAR/ VOU DIZER QUE O AMOR/ FOI FEITINHO PRA DAR/ OLHA/ É COMO VERÃO/ QUENTE O CORAÇÃO/ SALTA DE REPENTE/ SÓ PRA VER A MENINA QUE VEM/ ELA VEM SEMPRE TEM/ ESSE MAR NO OLHAR/ E VAI VER TEM QUE SER/ NUNCA TEM QUEM AMAR/ HOJE SIM DIZ QUE SIM/ JÁ CANSEI DE ESPERAR/NÃO PAREI NEM DORMI/ SÓ PENSANDO EM ME DAR/ PEÇO, MAS VOCÊ NÃO VEM/ BEM...DEIXO ENTÃO/ OLHA O CÉU/ FALA SOL MAS VOCÊ, VEM...”

Para BOSSA NOVA que me trouxe a pureza das melodias e me tornou um homem mais sensível, deixo as reticências que ao amor são inerentes...
Manel Clélio (Kekel)
Enviado por Manel Clélio (Kekel) em 30/09/2008
Reeditado em 05/03/2009
Código do texto: T1204673

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Sobre o autor
Manel Clélio (Kekel)
Macau - Rio Grande do Norte - Brasil, 38 anos
866 textos (86950 leituras)
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Manel Clélio (Kekel)