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Animal político



Mais forte, inteligente e capaz, naturalmente assume a liderança do grupo, governa baseado em suas qualidades e é respeitado por elas. Passa o tempo, vai ficando velho e mais incapaz, embora mais experiente e, talvez mais sábio. Ou mais vivo. Para manter o poder precisa negociar. Faz concessões, conchavos, muda o círculo de amigos, alia-se a antigos inimigos e por aí.  Mantém o poder. frágil, mas mantém.
Tem filhos e eles precisam de futuro. Criá-los perto do poder, com privilégios, preterindo outros, num nepotismo descarado, garante a continuidade da prole. Assim é feito; tornam-se, de certa forma, os herdeiros da liderança do pai, mesmo que não tão capazes. É o poder hereditário, na maioria das vezes não democrático.
Distribui comida e faz pequenos favores para ter o apoio dos outros e assim ser escolhido líder, mesmo que os métodos não sejam os mais éticos.
Adula, finge humildade,  alegria e fidelidade.
“O homem é um animal político”, conforme Aristóteles. Portanto, o que escrevi se explica e se justifica, certo? Errado:  esse comportamento  é de animais. Isso mesmo, principalmente de algumas espécies de chipanzés,   zebras, cachorros.
Seria o caso de mudar a frase para “O animal é um homem político”?  Em alguns casos, parece que sim. Mas não pára por aqui: leões matam os filhotes que fêmeas tiveram com outros machos, para que a fêmea inicie antes as relações sexuais – enquanto amamenta não tem relações – e, assim, ele possa impor seu sangue, sua linhagem, eliminando a dos outros.
Quanto mais forte é a estrutura de poder, maior a força do sexo entre certos animais; as fêmeas decidem o que, onde e com quem fazer, e usam seu charme e todos artifícios para conquistar os machos mais fortes. E eles se deixam enganar, muitas vezes depois se  pavonearem, exatamente como fazem os bobos dos homens.
Uma curiosidade: em bandos de chipanzés, se um macho se interessar pela fêmea do chefe, é imediatamente castigado. Mas há uma constatação ainda mais curiosa: uma espécie de chipanzés vive em um clima de bastante liberdade sexual. Não existe luta pelo poder entre eles. Esta preocupa...
Somente os xiitas mais fundamentalistas ainda se arriscam a negar nosso parentesco com os animais. Só que às vezes as semelhanças não precisariam ser tão grandes.

Donald Malschitzky
Enviado por Donald Malschitzky em 07/10/2008
Código do texto: T1215740


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Sobre o autor
Donald Malschitzky
Joinville - Santa Catarina - Brasil, 68 anos
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Donald Malschitzky