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O universo paralelo dos guarda-chuvas perdidos. O amanhecer de Quinta-feira.

    Ontem no trêm, fazendo o caminho de volta para casa, encontrei um senhor, que se sentou ao meu lado e suspirou. Lamentou encarniçadamente, pois havia perdido seu guarda-chuva. O coitado parecia um incipiente viajante de trêm que não saberia diferenciar seu trêm de uma borboleta.
    É claro que eu o havia lavrado de maneira injusta e precipitada, pois ele teve eficácia suficiente para me provar lacônicamente que foi apenas esquecimento de sua parte. Muitos problemas encheram sua mente, fazendo-o esquecer-se de seu recém adquirido guarda-chuva.
    Fortuitamente, hoje, ao sair do trabalho, esqueci meu bendito guarda-chuva em baixo de minha mesa. Por sorte, ou algo ainda maior, uma colega de trabalho viu e me avisou rapidamente, comentando: "-Se ele ficasse aí, acabaria indo para o universo paralelo dos guarda-chuvas, porque todo mundo os perde, mas ninguém os acha, pra onde será que eles vão?"
    É um pensamento meio criativo demais, mas faz sentido, pois eu mesmo já perdi as contas de quantos guarda-chuvas fiz esquecer em todos os lugares possíveis. E sempre tendo de me deparar com a seguinte pergunta: "- Onde foi que você esqueceu?". Bom, se eu soubesse não o teria perdido.
     Talvez haja realmente um lugar evasivo, onde os guarda-chuvas prefiram ficar para se verem livres de seus donos pouco gratos, que os ficam esquecendo em todo e qualquer lugar, a não ser que esteja chovendo, né? Quem é que esquece o chapéu quando está chovendo?
     Essa palavrinha, na verdade nos quebra um galhão, em momentos de chuva. Palavra composta separada por hífen que é usado para ligar os elementos de palavras compostas por justaposição que mantêm a sua autonomia fonética.
    O guarda-chuva surgiu no Antigo Egito e era utilizado tanto pela família real quanto pelos nobres como símbolo da posição que ocupavam na hierarquia teocrática.
    Projetado originalmente para cobrir um homem de porte médio das chuvas, ele nunca esteve tão pequeno. Antigamente tinha de dois metros à dois metros e vinte de diâmetro e era feito com material resistente. Já os de hoje em dia, não se pode dizer o mesmo.
    Enfim, em suma, o homem do trêm achou um guarda-chuva. Querem saber onde? Dentro de sua bolsa. Ai, ai. Talvez não exista um universo paralelo onde se escondam os guarda-chuvas, ainda bem. Ou não.
Prima
Enviado por Prima em 09/10/2008
Código do texto: T1220035
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Sobre o autor
Prima
Duque de Caxias - Rio de Janeiro - Brasil
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