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ANTÔNIA MARZULLO - ESQUECIDA.

DESCASO CULTURAL

Nelson Marzullo Tangerini

                    Sozinho, venho lutando para preservar a memória de minha família; basicamente, Nestor Tangerini, meu pai, poeta [sonetista satírico], compositor, teatrólogo – de Teatro de Revista -, jornalista, caricaturista cubista e professor de Língua Portuguesa, e Antônia Marzullo, minha avó, atriz de teatro, cinema, rádio [Rádio Nacional], televisão e comercial [Coopertone].
                    Durante anos, colecionei fotos e recortes de jornais e revistas da época em que Antônia atuou.
                    Inclusive, coletei depoimentos de Nelson Xavier, de Moacir Deriquem e Jofre Rodrigues [filho de Nelson Rodrigues], entre outras pessoas que com ela conviveram, na esperança de escrever um livro sobre a atriz.
                    Inconformado com o descaso da mídia e de pessoas da família, - creio que esteja pregando no deserto -, resolvi escrever carta aos jornais do Rio. Apenas o Jornal do Brasil publicou, no dia 2 de outubro de 2008, quinta-feira, a minha missiva, com o título “Descaso Cultural”:

                    “Mais um filme poderá se perder para sempre. Trata-se de “As aventuras de Chico Valente”, de Ronaldo Lupo [Lupovici], com Antônia Marzullo, minha avó.
                    Já vimos esse filme: “Favela dos meus amores”, de Humberto Mauro, com Antônia Marzullo, Rodolfo Mayer e Carmen Santos, perdeu-se para sempre, num incêndio.
                    “As aventuras de Chico Valente” está dentro de uma lata em Saquarema, RJ. Alguém poderia passá-lo para DVD?
                    Ronaldo, cantor, compositor, músico e humorista, faleceu em 2005, não deixando descendentes.
                    Renée, sua irmã, já bastante idosa, cuida do acervo do irmão, que fez filmes também com Dercy Gonçalves.”

                    Antônia Marzullo, mãe de Maurício Marzullo, advogado e poeta [*1915 - + 2008], Dinah Marzullo Tangerini, ex-atriz [* 1917 - + 2005], e Dinorah Marzullo Pêra, atriz [*1919], faleceu em 1969, deixando uma vasta biografia a ser levantada.
                    Dois grandes trabalhos seus estão hoje disponíveis em DVDs: os filmes: O Ébrio, com Vicente Celestino, e Samba, com Sarita Montiel e Grande Otelo.
                    No teatro, trabalhou em peças de Nelson Rodrigues: Toda nudez será castigada, Bonitinha, mas ordinária e A mulher sem pecado.
                    Além de muito colaborar com o Retiro dos Artistas, Antônia dedicou-se integralmente ao teatro e ao cinema brasileiro, junto com sua família, a sua paixão maior. .
                    A Marzullo, como era chamada pelos amigos de profissão, pelos fãs e pelos jornalistas, ainda é lembrada por um seleto grupo de fãs; um deles, Abelardo, ex-bailarino e hoje funcionário da Rádio Nacional.
                    Amigo e fã de Antônia Marzullo, Abelardo, emocionado, falou-me, certa vez, na Rádio Nacional, da elegância e da fineza da atriz.
                    Jorge Goulart, aquele grande cantor que encantava a todos nós com sua possante e belíssima voz, contou-me, num encontro que tivemos, um dia, na FUNJOR, que muitas vezes conversava com a sempre amiga Antônia Marzullo, quando a tristeza o incomodava:

                    “- Bastava conversar com ela, que sempre estava disposta a me ouvir, para eu me sentir bem”.

                    Depois de adoecer em minha casa, em Piedade, subúrbio do Rio, onde morava, Antônia, que nasceu a 13 de junho de 1894, em Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro, faleceu a 25 de agosto de 1969, na Clínica Santa Cristina, no mesmo bairro e na mesma cidade, onde nascera.
                    Para ela, seu filho e fã Maurício Marzullo escreveu este belo e comovente soneto:


             CONDENEMOS!...
               
                                                    [À mamãe]

                   Embora, minha mãe, tu pretendesses
                   Que eu fosse grande, onipotente, eterno,
                   Esforços empregando, eu vi que, nesses
                   Anseios teus, só mesmo o amor materno

                   Conseguiu dar-me, sem que concebesses,
                   A elevação moral, pois não aderno
                   No lodaçal da Vida; é que sou desses
                   Que mantém o Calor em pleno Inverno!...

                   Desta maneira, minha mãe querida,
                   Se nada fui, se nada sou na Vida,
                   Conforme concebeste em teus anelos,

                   Condenemos, sem tréguas, meu Destino,
                   Que, desde cedo, desde bem menino,
                    Jogou sempre por terra os meus Castelos!...

               

                    Antônia Marzullo, mãe do modesto Maurício Marzullo, - para todos nós um grande advogado e poeta, além de exemplo de retidão -, merecia ser lembrada em 2009, no 40o. aniversário de sua morte.
                   

Nelson Marzullo Tangerini, 53 anos, é escritor, jornalista, poeta, compositor, fotógrafo e professor de Língua Portuguesa e Literatura. É membro do Clube dos Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini.


nmtangerini@gmail.com, nmtangerini@yahoo.com.br



Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 06/11/2008
Código do texto: T1268780
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24109 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/19 12:24)
Nelson Marzullo Tangerini