ANO NOVO, SERÁ?

Cheguei no final do Ano.
A sensação de algo faltando me incomoda.
A certeza de que alguma coisa não foi feita está gerando esse desconforto.
A preocupação com esse vazio, que , na minha opinião ainda bem que existe, apesar de me deixar meio que morna para a ocasião,  está tirando o brilho e a alegria do meu Natal  e  deixando a sensação de que  sempre tentei me enganar  com a afirmação  de que o  Ano Novo  chega trazendo a chamada renovação!
Novo mesmo só o calendário! Pena!
Somos seres de boa vontade! Que boa vontade?
Sinto cada vez mais o individualismo, vejo a solidão aumentando, a fome continua matando, percebo a maldade crescendo e, sobretudo, um medo absurdo, gigantesco de ajudar o próximo!
Poderei ser uma vítima, pensamos!
Vejo olhares tristes e totalmente sem esperanças, a inveja tomando conta daqueles que  só querem sugar, vejo irmãos brigando,  sinto, talvez seja a força da época,  uma carência de fé, de perdão e, até mesmo de amor!
Vou deixar isso com o Ano Velho? Utopia!
Ano Novo chega mas as velhas atitudes não se renovam e tampouco se desgastam!
Certeza mesmo só tenho do meu direito de gritar, berrar até mesmo de fugir  desse deserto através das minhas letrinhas, do meu poetar!  Tentar ser melhor.. tentar plantar algumas flores  para ver se o perfume chega até aos corações mais duros,  as almas menos sensíveis!

Festa? Não tenho vontade. Cansei desses enganos
caros com brindes e purpurinas.. com foguinhos para
iludir e desnortear momentaneamente a realidade em
que vivemos!

Não pense que sou pessimista . Não pense que perdi a esperança  na vida e nas pessoas! Não! Estou, apenas, neste momento, com uma visão humana  mais apurada e, também,  querendo encarar de frente  o que está ao meu lado! Estou ouvindo a voz do meu coração!
Talvez seja a hora. A madrugada sempre me deixa mais transparente, mais vulnerável ; tira de mim  o escudo invisível que carrego para a luta diária!
Não quero  e nem estou pretendendo jogar água fria na
fogueira de ninguém! Só estou pensando nos irmãos desafortunados  e naqueles que me fazem falta  e que faziam diferença na minha vida! Olhando  e pensando perigosamente, diga-se de passagem, através da minha janela aberta!
Apenas, estou num momento reflexivo e sem vontade
de cantar Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo!
Nem passei ainda pelo Natal!

Queria muito acreditar, ter a certeza de que a dor  e o desamor são velhos também!