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Juízo


Cheguei a uma conclusão: eu preciso tomar juízo.
Já sei que o gosto é ruim: meio amargo, meio azedo, tem algo assim de renúncia e um quê de decepção, mas com gelo e açúcar até que dá para encarar.
Dizem que fica bom mesmo é com vodca, mel e limão. Aí, eu já não acredito. Acho que álcool e juízo não combinam muito bem.
Mas, “se o que arde cura e o que aperta segura”, não vai ser o paladar que vai me demover dessa minha decisão: preciso mesmo tomar juízo!
Saí para comprar. Procurei nas farmácias, supermercados e bares. Não achei, que loucura! Parece que anda em falta.
Se você souber onde tem, me avise por favor. Em troca eu lhe passo a receita da poção de desamar que serve para esquecer a pessoa que partiu seu coração. Se bem que, não é bem uma troca. É que não adianta eu lhe dar a receita antes, pois um dos ingredientes é o danado do juízo.
Ah! E é bom que eu avise! A beberagem funciona, mas tem um efeito colateral: depois de beber tudinho e livrar-se dessa paixão, vê-se o mundo assim sem brilho, as cores perdem a cor. Porque o amor, esse dói, machuca, maltrata, aferroa, mas sem ele, vem um tipo de apatia, de preguiça de viver.
É claro que tem solução: basta encontrar outro amor.
Mas, cuidado!! Por via das dúvidas, tenha sempre à mão uma garrafinha de juízo. De vez em quando vá lá e dê uma boa golada. Porque o amor colore tudo, traz magia à sua vida, mas sem um bocado de razão, é certeza, logo, logo você vai precisar de novo da poção de desamar.

Imagem daqui.

Nena Medeiros
Enviado por Nena Medeiros em 13/04/2009
Reeditado em 10/08/2010
Código do texto: T1536590
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Nena Medeiros
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 53 anos
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