Em domicílio - uma crônica de humor sobre serviços de entregas.
 
Nem tudo o que compramos, dá para carregar na hora, como um chiclete, um sapato ou uma revista.A não ser que a você tenha em sua garagem um caminhão-baú.Mas como essa hipótese é muitíssimo remota, recorremos ao serviço de entrega da loja quando a compra é muito grande ou frágil demais. Ela pede-nos um prazo para entregá-la em nossas residências e a gente confia.Confia até demais.
 
Há alguns anos, um guarda-roupa muito bonito me chamou a atenção na vitrine de uma loja.Entrei e comprei-o, sem muito pensar.Voltei para casa sonhando com aquele móvel adornando meu quarto em uma semana.O prazo acabou e ele não chegou.
 
Desisti da compra depois de dar à loja muitos prazos que não foram honrados e procurei o PROCON, amparada pelo artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor.
 
Marrenta, tirei uma cópia do cheque que a loja me pagou, com juros, multas, e etc e dei de presente ao gerente, um sujeito arrogante, com que já havia brigado durante seis meses:
 
-O que eu faço com isso? – gritou ele, quando eu já estava na porta de saída.
 
-Você não quer que eu diga, quer?
 
Fui embora ouvindo as risadas de outros vendedores e clientes.Ele deve ter ficado fulo da vida comigo.Bem-feito, ele disse que eu nunca ia reaver meu dinheiro.
 
Situação oposta aconteceu com a mesa da cozinha:
 
-Na quarta-feira a gente entrega para a senhora. - prometeu a loja.
 
A vizinha disse-me que a mesa estava na garagem dela dois dias.Detalhe: eu ainda não morava na casa, não a conhecia e faltei no trabalho para esperar a compra em casa.
 
E pizza?
 
Uma vez apareceram uns amigos em casa, num sábado à noite.Apanhei o folheto da pizzaria e a mocinha do outro lado jurou-me:
 
-Quarenta minutos para a entrega!
 
Passada um pouco mais de uma hora, os convidados ganindo de fome, a dita cuja me chega.Errada, não era a que eu havia encomendado.Se eu não estivesse com visitas, a devolveria à pizzaria.Mas como não sou paramédica e detestaria ver alguém desmaiando de fome na minha sala, aceitei-a assim mesmo.Ninguém percebeu.Acho que estavam mesmo agoniados.
 
Pior foi o que aconteceu com uma senhora de mais de oitenta anos (vi numa reportagem): ela recorreu ao serviço de delivery de uma farmácia e, no lugar do seu medicamento para o coração, recebeu uma caixinha de Viagra.O erro virou motivo de piada para a neta que recebeu a encomenda.
 
Minha mãe (ahhhh, D.Ana) há algumas semanas foi a uma loja de departamento e comprou duas televisões 42’ (uma para ela e outra para a minha irmã) e fez meu pai trazê-las no carro!!!! Minha irmã disse que o veículo transformou-se num Fusca, tamanho sufoco que ela passou lá dentro.
 
Quando eu perguntei a ela porque não deixou que a loja entregasse as mercadorias, D.Ana foi simples:
 
-Eu queria assistir a um filme inédito que ia passar na TV .E eles mentem o dia que vão entregar!
 
Numa coisa minha mãezinha tem razão: filme inédito e bom na Globo ,no sábado à noite, e loja cumprindo prazos de entrega é coisa mesmo difícil de acontecer.
 
 
 

(Maria Fernandes Shu – 24 de maio de 2009)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maria SHU
Enviado por Maria SHU em 25/05/2009
Reeditado em 25/05/2009
Código do texto: T1613061
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