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                            UMA VIAGEM DESASTRADA





Na minha primeira viagem internacional, o comissário passou com um carrinho com artigos de free shop.


Estava tão enlouquecida de ansiedade, que imaginei ter visto aquelas caixinhas onde se guardam terços e santinhos. Como minha família havia pedido alguns, me apressei em chamar o comissário:


- Quero meia dúzia dos santinhos.


O funcionário do avião olhou espantado para os objetos que eu apontava. E respondeu em belo sotaque português:


- O único santinho aqui sou eu!


Eu havia apontado para os isqueiros à venda.


Cheguei em Lisboa. Fiquei hospedada no Hotel Eduardo VII. Chamei um táxi para fazer meu primeiro passeio. Ao invés de falar o nome correto, dizia:


- Estou hospedada no Hotel Henrique VIII.


Acho que o motorista quase perdeu a cabeça de tanto repetir que não existia esse lugar.


Finalmente, consegui me lembrar o nome do hotel (depois de meia hora de acessos de riso) e embarquei no táxi. Queria fazer algumas compras e me livrar dos tais pedidos familiares!


Disse ao motorista para me levar em uma rua do comércio.

O carro parou exatamente nela: Rua do Comércio. E eu não vi uma loja sequer!


Não contente com tantas desventuras, almocei em um restaurante especializado na gastronomia da Ilha da Madeira. Assim que o garçom perguntou o que eu queria beber, disse, sem titubear:

- Vinho do Porto.


Estou esperando até hoje que ele traga a bebida.


E, por fim, na Itália, conheço a família de meu noivo, na época.


Era uma noite agradável de primavera, em um domingo. As pessoas me receberam muito bem. O jantar estava divino. Passamos horas à mesa, saboreando pratos e vinhos deliciosos. E a conversa sempre animada!

Pois é! Empolguei! E minhas aulas particulares de italiano, naquela altura, haviam se tornado um curso superior. 


O domínio da língua era apenas fruto do vinho, mas ao perceber o horário, fiquei sinceramente preocupada. Era tarde e aquela família trabalharia na manhã seguinte. Não queria abusar da hospitalidade e disse que iríamos embora.


Elogiei e agradeci as pessoas e o magnífico jantar, justificando nossa saída, afinal, a manhã da segunda-feira seria para eles um "dia de branco". Expressão usada para designar dia útil, de trabalho.


Acontece que ao ser traduzida ao pé da letra para o italiano, adquire outro significado: prostituir-se!
 

Sim, caro leitor. Eu jantei maravilhosamente, bebi vinhos fantásticos, fui bem tratada e no final, chamo todos da família, inclusive uma senhora com quase um século de existência, de profissionais da vida fácil.


Acho que nascia aí uma humorista de quinta! E uma futura ex-mulher!







(*) P.S.:
Essa é uma republicação. Oh! Oh! Oh! Triste sina! ;)




(*) Foto: Google

http://www.dolcevita.prosaeverso.net
Dolce Vita
Enviado por Dolce Vita em 18/06/2009
Reeditado em 18/06/2009
Código do texto: T1655668
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Dolce Vita
São Paulo - São Paulo - Brasil
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