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Série Ego em Prosa: 6) O valor da Amizade e da Gratidão

O valor da Amizade e da Gratidão

Senhoras e senhores:

Mais uma vez um post atrasado, mas é por uma justa causa. Ontem foi a colação de grau da minha cunhada e, graças a esse evento, pude escolher o tema de hoje: amizade e gratidão. Duas palavras usadas freqüentemente, mas será que sabemos valorizá-las, até mesmo usá-las no dia-a-dia, corretamente?
Vamos começar pela amizade. Quem não se recorda daquele amigo especial, que estudou no primário (atual ensino fundamental) e foi conosco até o colegial (atual ensino médio)? Ou aquela pessoa, ou grupo de pessoas, da faculdade, que ficaram os 4 anos juntos, unidos, lutando por um sonho em comum: graduar-se em um curso superior? Quem não viveu aquela amizade gostosa, de se reunir nos finais de semana para ver filme, comer pizza, jogar Detetive, Scotland Yard, Banco Imobiliário, War? Ou ainda, voltando bem à infância, pular corda, amarelinha, brincar de esconde-esconde?

Pois é, eram momentos simples, de pura descontração, brincadeira, comunhão. Existe uma diferença entre brincar e jogar: brincar, todo mundo ganha em diversão; jogar, um sempre ganha e outros perdem. Mas a vida passa, nós crescemos e, algumas dessas amizades resiste ao tempo, continuam conosco durante uma jornada inteira, outras se vão, seguem caminhos diferentes, mudam-se de cidade, estado, país, e, pelo destino, perdemos contato. Muitos anos depois, até pode ser que reencontremos essas pessoas, com a evolução da internet, comunicadores instantâneos, sites de relacionamentos virtuais, etc. Meu irmão, inclusive, reencontrou um amigo que estudou com ele no ginásio pelo Orkut!

Eu acredito, na verdade, que a faculdade é o melhor laboratório de amizades. São 4, 5 anos convivendo com as mesmas pessoas. Claro, umas desistem no meio do caminho, outras mudam de horário, mas sempre irá existir aquele grupo unido, que faz todos os trabalhos juntos, passa a tarde na faculdade papeando, ou cabula aula junto porque não está afim de assisti-la. Há brigas, desentendimentos, estresses que, ás vezes, são mais forte que a amizade e acabam por romper laços. Em outros casos, só servem para fortalecer e trazer um crescimento para ambos. E a vida segue, continua. Pude ver isso pela minha colação de grau e da minha cunhada ontem: lágrimas de emoção por uma etapa vencida, abraços carinhosos, apertados, comemorando e celebrando o fim de uma jornada, desejos de vitória, sucesso e aquela famosa frase “vê se aparece, não vamos perder contato!”.

A vida tem sua lógica, sua razão e cada um seguirá um caminho diferente dali por diante: alguns laços serão mais fortes, diários, outros se desfazem ali, no primeiro dia de formados. Até no trabalho, campo tão competitivo, podemos ver isso: pessoas que desejam nosso sucesso, de verdade, sem hipocrisia, falsidade ou inveja, e aquelas que agem ao contrário. Os amigos são aquelas pessoas importantes em nossas vidas, independente do tempo que permanecem. Estão conosco na alegria, na tristeza, na saúde, ou na doença, como se fosse um casamento. É um sentimento que une pessoas diferentes, ás vezes opostas, antagônicas a nós mesmos, mas que nos fazem bem, nos ajudam e dão equilíbrio. Seria chato se todos fôssemos iguais convivendo com iguais.

Parece até utopia esse texto: falar de amizade, como aquelas dos filmes hollywoodianos, que todos nascem, crescem, estudam e convivem juntos durante uma vida inteira, mesmo que sigam caminhos diferentes. É… Não vejo mais tanto isso. Laços de amizades durarem anos, serem fortes o suficiente para resistir ao tempo. E aqui, inclui-se o tempo que damos como desculpa “ah, ando tão sem tempo para ligar”, ou “não, não vai dar para nos encontrar, estou atolada de trabalho”. O ser humano consegue tempo para tudo na vida, menos para família, amigos, lazer, diversão. Vivemos em um mundo tão egocêntrico, ensimesmado, onde o importante é carreira, sucesso, dinheiro, status. Concordo que seja importante o trabalho e o dinheiro, mas a vida não é só isso. Pessoas adoecendo por trabalharem mais que seus corpos agüentam, sem o mínimo de descanso, lazer, sem passar um tempo com a família ou sair com os amigos para relaxar. Será que as amizades e a família tornaram-se segundo plano?

E é aqui que entra a gratidão. Reclamamos até mesmo de nossas escolhas, que não temos tempo para nós, para a vida familiar, a convivência com os amigos, para estudar. Mas, agradecemos por termos uma família, saúde, um teto para morar, comida na mesa todos os dias? Reclamamos do calor, da chuva, do clima, do país, do governo, mas agradecemos por sentir o cheiro de terra molhada, poder ver o Sol brilhando, nascendo ou se pondo, por vivermos em um país que, mesmo com violência, falta de educação e saúde, não vive os dramas de uma guerra, de um bombardeio, de ataques terroristas? Perdemos tanto tempo reclamando de tudo, e nunca temos tempo de agradecer pelo que temos, o que somos, por cada dia que acordamos, quando muitos estão aí, passando fome, frio, andando pelas ruas a procura de comida nos lixos, sem moradia, sem família, sem amigos, sem estudo. Aqueles que morrem sem ter um plano de saúde, um cuidado especial. Até quando vamos viver de resmungos e reclamações? Quando vamos parar e pensar nessas pessoas que nada tem, e que o desejo é não mais acordar para viver em sofrimento, miséria?

Por isso, gostaria de deixar registrado aqui duas mensagens importantes: valorizemos os amigos, eles são como anjos da guarda, uma família que escolhemos e que estarão lá, sempre que precisarmos. Vamos arrumar tempo para ligar, dizer um oi, conversar, reunir os amigos e comemorar esse belo laço de união. Mesmo que seja enviar um e-mail, desde que não simplesmente encaminhar uma mensagem já pronta. E agradecer, por tudo que temos e somos, e lembrar daqueles que dariam tudo para viver, mesmo que por um dia, uma vida como a de muitos nós.

Eu estou aprendendo o poder da gratidão, de todos os dias, ao me deitar, agradecer por mais um dia vivido, por poder acordar e por tudo que tenho. E você? Vai apenas reclamar da vida? Por que não experimenta o poder da gratidão e do reconhecimento?
E os amigos? Por que não hoje procurá-los, dizer que os ama, que eles são importantes? Ou você está vivendo sem tempo de lembrar de si mesmo e daqueles que estiveram ou estão com você, mesmo aqueles que já partiram de alguma forma? Por que não aproveitar hoje e agradecer por eles estarem ou terem estado com você quando mais precisou, seja para compartilhar uma conquista, uma derrota, lágrimas, sorrisos?

Amizade e gratidão: se o mundo soubesse o poder dessas duas forças, com certeza viveríamos tempos mais fáceis.
Gustavo Oliveira
Enviado por Gustavo Oliveira em 20/06/2009
Código do texto: T1658814

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Sobre o autor
Gustavo Oliveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 36 anos
63 textos (11571 leituras)
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Gustavo Oliveira