Ah! Os bailes...

 

Minha infância e mocidade, vivi-as em uma pequenacidade do interior.

Era uma destas cidadezinhas comapenas uma ruaprincipalonde ficavam o comércio, os doisbancos e uma escola. Nesta escola, fiz amizades que duram até hoje.

Todas as pessoas se conheciam. Havia poucosautomóveis. As pessoas se locomoviam emsuagrandemaioria a pé.

Não havia muitosdivertimentos, então líamos, íamos ao cinema, às festas da igreja e o melhor de tudo, aos bailes.

Uma festaera uma festa de toda a cidade. Era uma mistura de velhos e jovens. Muito interessante. As gerações se encontravam, e todos se divertiam muito.

E os bailes? Ah! os bailes... Comoeu os esperava! No entanto, o melhor de tudoera a preparação, que começava muitotempoantes. Primeiro teria queescolher o vestido: a cor, o tecido, o modelo... Depois os sapatosque combinassem com o vestido. No dia, o maisimportanteeraarrumar o cabelo. Não havia salões de beleza, então uma moça auxiliava a outra a enfeitar-se.

E chegava a noite... Era uma azáfama. Todas queriam usar o espelho do banheiroporqueeramaior. Erapreciso olhar-se porinteira. Vestidos rodados, muitas saias de armação, sapatossaltonove, carretel. No cabelo, fitas do mesmotecido do vestido.

Todos prontos. Íamos para o clube. A mesajá estava reservada. Eracostume o presidente da sociedadeguardarsempre a mesmamesapara as famílias.

A chegadaeraemocionante... Meusolhos procuravam, entretantos, uns olhosespeciais. Tristeza... De cabeçabaixa, dirigia-me para a mesa. Mas havia combinado que viria... que iríamos dançar a noitetoda... De repente, meu olhar se encontrava com o dele. Umsorriso iluminava meu rosto rosado. O coração batia mais rápido. E um medinho... Teria coragem de vir me tirar para dançar? Strauss... E  ele vinha... 


 

Imagem: Google

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