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A Minha Terceira E Derradeira Crônica


      Tem certas situações na vida que quebram paradigmas, cabe ao observador ter não só a sensibilidade em captar tais acontecimentos como também tentar esboçar em mínguas linhas a exata percepção daquele cotidiano alheio, coisa de xeretador que é o cronista, coisa que não sou, até mesmo estava vencendo este inebriante vício, mas, me rendi novamente às delícias de esmiuçar os comportamentos humanos resultando tal ato nesta terceira e derradeira crônica, assim desejo ardentemente que o seja, derradeira.

      Existem coisas corriqueiras que muitas das vezes passam por desperceber, mas, que algumas das vezes o são sobremaneira irritantes, coisas como estas nos estimulam diuturnamente ao exato aperfeiçoamento de nossa tolerância, tem coisa mais desagradável que aquele chiclete mastigado que gruda na sola de seu pé, você pisa, amassa, raspa, estica e aquela massa obscessora verde ou rosa quase que sempre hesita em te largar, pior que isso acertadamente é peido de elevador, deviam criar uma tipificação para estes delinqüentes que exalam seus gases dentro daquele cubículo apertado, o pior não é sentir o fedor, é a angústia causada pelos olhares em busca do peidador, podes ter a certeza, alguma daquelas pessoas dentre as tantas que ali estiverem vão te olhar com asco e pensar,ahhh achei, é você o peidador, e você mesmo inocente e às vezes até meio demente com o odor, escolherás também pela cara aquele possível autor do peido matador que quase que sempre sai anônimo dessa apavorante situação.
      Coisa chata para reforçar este rol de esmiuçamento dos odores alheios é também suvaqueira, é preferível o temível odor do Herbíssimo e Leite de Rosas a este sentir alucinante de suvaco mal lavado, continuando, o que não poderia deixar de constar aqui são os delirantes programas religiosos de meio de madrugada, caroço some e seca, ferida desaparece, perna desentorta e hemorróida para de coçar ao simples comando do pastor, ou somos céticos mal amados ou aquelas aberrações são a mais pura verdade, coisa estranha é que se cura tudo, AIDS, câncer, gonorréia, cancro mole e até tuberculose, porém, não devem fazer os surdos voltarem a ouvir, esqueceram dessa patologia, falo isso porque senão qual seria a explicação daquelas mulheres no cantinho da tela ocupadíssimas com os sinais de libra explicando todo o ocorrido, os depoimentos é que são o momento de êxtase hilariante: “depois de freqüentar a igreja resolvi meus probremas todos, mim comprou três carro importado que tão na garage, mim comprou dois apartamento de cobertura pra mim morar com meus filho, abri dezessete empresa e virei empresário, mim comprou casa na praia e mim agora sou meu propi chefe”, barbaridade, compram tudo só esquecem de comprar uma boa gramática.
      Filme erótico americano é onde se encontram mais a palavra Deus do que as constantes no velho testamento, estes fazem qualquer piranha mais devassa americana parecerem verdadeiras beatas de igreja proclamadoras deste santo nome, por fim, um dos mais insuportáveis acontecimentos é o troco com bala, caixa de supermercado deve ter treinamento intensivo para nos passar aquelas pegajosas balas de freegeles de morango e menta como troco, há de ter uma explicação matemática de lucro para tal comportamento empresarial, a cada 30 centavos correspondem a pegajosas três balas, certo dia, vi uma balburdia e um amontoado de gente em um destes supermercados, um cidadão estava querendo passar um bom uísque com um saco com exatamente 1000 balas, xeretamento do comportamento cotidiano tem dessas coisas, aqui estou eu reiterando nesse adorável vício, tenho que finalizar por conta do avançar das horas, já mastiguei todos meus freegeles, o programa delirante já acabou,vou dormir, mas, ainda com aquela angústia ocasionada por aquele olhar ameaçador me fuzilando na certeza de que peidei no elevador.
O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas)
Enviado por O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas) em 08/10/2009
Reeditado em 23/10/2015
Código do texto: T1854286
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