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A Minha Oitava e Derradeira Crônica


      No derradeiro mês do ano, continuo no reiterar do xeretamento humano, eis a minha oitava e derradeira crônica...

      O vendedor de livros usados espalha centenas de escritos no calçadão, vende o que não sabe decifrar, enigmáticos produtos reveladores de sua tão inconformada e desolada ignorância, o vendedor conhece todos por capa e assunto, livros amarelados como que exauridos de tantos manuseios e de olhares ávidos na tentativa de assim desvendá-los, repassados, trocados e doados, o vendedor vende a única saída de resgatá-lo daquele sujo e duro calçadão, ele troca sapiência por um tanto bocado de tostão.
      Procurando-se a comédia de Dante o vendedor saberá localizar, porém, vive ele uma vida muito pouco hilariante, e divina é tão somente a sua incansável e esperançosa fé em uma sobrevida melhor, vende ele livros miraculosos, mandingas, orações, Atlas, dicionários e tratados, todo tipo de livro sambado, empoeirado e cansado, deitados na calçada tem de Neruda a Machado, Freud a Jorge Amado, pinturas de da Vinci e o parnasiano de Olavo, quanto saber pelo chão esparramado, livros diuturnamente arrumados, despojados, na angustiada espera de tão somente mais um pouco de atenção.
      Um dia desses eu me deparei com o vendedor, eu procurava algo sem título definido, esmiuçar nada programado, puxando assunto o carismático vendedor me afirmou que o que mais sai é o do chinês guerreador, e por segundo um das posição sexual que ele jamais tentou, achei um pouco engraçado, será uma ironia daquele velho e cansado?, será ele um sarcástico embromador?, porém, ali percebi que aquele ser pouco letrado executa um dolorido labor, do desejo de saber dos outros, vendendo o que não sabe, ele faz o seu trocado, o ensinando lhe devolvi a exclamação:

      --- O chinês guerreador deve ser Sun Tzu em a Arte da Guerra e o das posições que o senhor jamais tentou deve ser o guia indiano que contêm posições, o Kama Sutra!!

      Mas o vendedor ainda retrucou:

      --- Deve ser isso mermo aí que você falou meu jovem, eu não decoro essas coisa não, mas, agora eu aprendi!

      E continuei:

      --- Por que o senhor quando tiver tempo não dá uma folheada nos dois, são obras bastante conhecidas?

      Ele balançou a cabeça entusiasmadamente...

      Outro dia eu me reencontrei com o vendedor que abruptamente exclamou:

      --- Mas rapai, eu arrumei mais dois daqueles dois livro que o senhor me expricou, nem deu tempo de eu espiá, logo dois rapaz levou, é uma pena né?, mas, pelo meno eu faturei um bom trocado, eu não te falei que aquele chinei guerreador e aquele das posição que cruz credo meu Deu, não tenho nem corage de fazer vendia demai?

      Eu sorri, apertei a sua mão, desisti e me rendi a sua tão maravilhosa e comovente satisfação...


 
O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas)
Enviado por O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas) em 07/12/2009
Reeditado em 23/10/2015
Código do texto: T1965674
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