A ORIGEM DA CRUELDADE HUMANA

Causa-nos pavor ao assistirmos vídeos de uma leoa atacando outro animal, matando-o para se alimentar. Aquilo parece cruel e machuca os mais sensíveis. É a cadeia alimentar se concretizando. Porque o animal só mata por dois motivos: para comer ou para se defender. Quer dizer, 99% da espécie animal age assim. São seres, com um mínimo de inteligência, comandados pelo instinto de preservação da espécie.

Uma única espécie age diferente. A única que é racional e tem inteligência mais do que suficiente para distinguir o bem do mal. O homem, sendo a única criatura com plena inteligência e livre-arbítrio, sabe o que faz e o faz consciente das consequências de seus atos. Pelo menos, presume-se que deveria saber. Que uma atitude boa reverte em resultados bons. Que uma atitude maléfica, mais cedo ou mais tarde, trará malefícios ao seu autor. Mas o homem, por seus atos, parece esquecer da lei do retorno, de que, para cada causa, advém uma consequência. E mata. Mata por motivos fúteis, mata por maldade, mata por instinto, mata premeditadamente, mata por cupidez, por orgulho, por ganância, por estupidez.

Se nos reportarmos às origens da violência no ser humano, talvez esteja na própria origem do homem. Muitas teorias já tentaram explicar a origem do homem e sempre esbarram no chamado "elo perdido", ou seja, aquele momento em que surgiu a racionalidade que distinguiu o homem das outras espécies. Eu prefiro, entre tantas, acreditar no renascimento dos espíritos, vindos de outros pontos desse Universo tão grande. Como os exilados da Capela, por exemplo. Defensora da teoria reencarnacionista, eu acredito que essas almas "caídas" eram seres intelectualmente muito desenvolvidos, mas desprovidos de bons sentimentos. E lhes foi dada a oportunidade de renascerem num ambiente hostil, onde teriam que começar, materialmente, tudo de novo. Porque assim, ocupados na luta pela sobrevivência, seu instinto para o mal ficaria em segundo plano, latente, amortecido. E nessa luta diária, enfrentando e competindo com outras espécies, tendo que se defender dos elementos da natureza, o homem foi se agrupando e, pouco a pouco, desenvolvendo os sentimentos de solidariedade, companheirismo, proteção. E a medida que o amor fraterno foi surgindo, o mal foi cedendo em seu coração. Mas, não se extinguiu completamente.

Dotado de livre-arbítrio, o homem passou a ser responsável por seus atos. Portanto, repito, eu creio que a origem do mal está no próprio homem. Quando olho para trás e tento recapitular as origens da civilização judaico-cristã, me vem à mente leões estraçalhando pessoas nos circos romanos, me vem à mente as Cruzadas, a "Santa Inquisição", o escravismo, o holocausto, as guerras fratricidas. E, olhando o presente, vejo famílias se destruindo, vejo estupros, vejo mortes no trânsito, vejo favelas ensanguentadas, vejo gente de bem gradeada, vejo bandidos andando livremente nas ruas. E vejo também a violência moral, minando o nosso povo e o nosso País. Porque ela também mata. Mata quando falta comida na mesa. Mata quando não tem leitos nos hospitais. Mata quando tira o direito à educação, ao lazer, ao trabalho. Mata porque desvia verbas, porque paga salários astronômicos a seres ignóbeis, gananciosos e insensíveis.

O bicho homem está mais para bicho que para homem? Não. Isso seria um elogio ao homem e uma ofensa aos animais.

O homem continua o mesmo ser racional dos primórdios de sua existência na Terra. Mudou o cenário. Mas os atores são os mesmos. E vão repetir o ato até a cena mudar de cara, ou seja, até que a bondade substitua o mal e o amor universal se instale definitivamente no coração humano.

Giustina
Enviado por Giustina em 06/01/2010
Reeditado em 14/02/2014
Código do texto: T2013392
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