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Por que Gregorio Fortunato (O anjo Negro de Getúlio Vargas ) morreu?

Anjo Negro

“Gregório Fortunato “ homem de cor preta era o homem forte da era Vargas. Era forte literalmente, tinha um metro e noventa e pesava mais de cem quilos,  grande como um armário, homem de ferro do governo Getúlio Vargas, braço direito do presidente, considerado o anjo negro de Getúlio ou anjo da guarda. Era o  homem negro que sempre estava a direita do presidente, qualquer que fosse a aparição do presidente da República lá estava Gregório  sempre ao lado direito de Getúlio.
Foi considerado o maior articulador político do governo Vargas que agia entre a luz e as sobras do sistema político da época, ou seja, mesmo antes de qualquer coisa chegar aos ouvidos de Vargas, chegava primeiro aos ouvidos de Gregório, por conseguinte, Gregório filtrava todo blábláblá da República e só falava a Getúlio aquilo que lhe convinha. Assim sendo, Gregório era o “cara” da época Vargas.
Houve um  momento que o governo Vargas sofreu várias pressões políticas, e, um dos maiores de seus opositores políticos foi Carlos Lacerda, jornalista proeminente dentro da sociedade carioca ( a então capital da república – Guanabara, naquela época), que aproveitando um grande desfalque financeiro  dado no caixa do Banco do Brasil, cujo autoria foi imputado a Lutero Vargas – filho mais velho do então presidente da República, Getúlio Vargas. Não poupou esforços em minar as bases de sustentação política  do governo Vargas, fazendo crer que o seu governo era basicamente clientelista, e que acobertava a maioria dos escândalos de corrupção.
Até que surge o atentado  da rua Toneleros. Tiros foram disparados contra Lacerda, seu bravo segurança, o major Rubens Vaz da Aeronáutica, se interpôs na trajetória dos projéteis como um escudo, evitando que os tiros atingissem Lacerda, as balas mal atingiram o pé de Lacerda que saiu quase ileso do atentado, porém os ferimentos que sofreu o destemido  major Vaz foram letais  e o levaram à morte.
Sendo Carlos Lacerda figura pública  proeminente dentro do Distrito Federal, líder da oposição ao governo Vargas da época. Logo a notícia correu mundo, não havia ninguém que de  “san” consciência não atribuísse o atentado da rua Toneleros  ao pessoal de Vargas. Imediatamente todas as evidências voltaram-se para o Palácio do Catete, sede do governo. Oficiais da FAB resolveram fazer um inquérito por conta própria visto que alegavam não poder confiar na polícia de Vargas. Formou-se a chamada "República do Galeão", um inquérito dirigido por integrantes da FAB a revelia das autoridades constituídas. Em pouco tempo os criminosos foram detidos e Gregório Fortunato preso. O poder de Vargas esvaziou-se por completo. Antes de suicidar-se já estava politicamente morto.
Bem, o  fato é que Gregório foi preso e condenado a 25 anos de prisão  no presídio da Frei Caneca. Tempo depois Gregório acabou assassinado dentro do mesmo presídio, no Rio de Janeiro, em 1962, num episódio descrito no livro “O anjo da Fidelidade”  como queima de arquivo, a eterna suspeita que paira sobre as mortes momentosas da cena política nacional. "A única coisa que sumiu de sua cela foram anotações que dariam origem a um livro" que Gregório poderia estar escrevendo, sustenta José Louzeiro, autor do livro acima citado. A historiadora Maria Celina Soares d'Araújo, da Fundação Getúlio Vargas, concorda que há evidências de crime político. "Ele sabia demais", afirma.
Porém,   a bem da verdade e, segundo testemunhas oculares,  que viveram todo episódio da morte de Gregório por dentro do presídio, deram conta de que a morte de Gregório em  nada teve haver com queima de arquivo ou qualquer teoria da conspiração que se possa ter imaginado. O que realmente houve foi que Gregório, ainda que preso gozava de certo privilégio dentro do presídio, que o transformava numa  espécie de “sherifão”. Logo se tornou o centro das atenções, fato esse que gerava muito ciúmes entre os outros presos. Para completar o quadro,  quando do seu recolhimento ao presídio, tratou logo de destituir do cargo de “sheriff”,  um antigo presidiário, o detento Feliciano Emiliano Damas, que já cumpria pena há um tempão e que exercia uma forte liderança entre os presos da Frei Caneca. E, o que é pior, Gregório não satisfeito com a destituição de Feliciano,  ainda cuida de tomar desse antigo “sheriff” o seu parceiro de cela, que fazia as vezes de mulherzinha na relação sexual entre eles. Conseguiu arranjar a transferência do rival para o presídio da ilha Grande e, por conseguinte, tornou-se o todo poderoso entre os presos da Frei Caneca.
Todavia, e é lógico que o outro “sheriff” ficou possesso, Feliciano jurou que enquanto vida tivesse que se vingaria de Gregório dando cabo a sua vida. Algum tempo se passou e, quando todos acreditavam que o episódio havia arrefecido,Feliciano  por uma simulação arquitetada, baixa hospital para tratamento, sendo conduzido do presídio da ilha Grande para o da Frei Caneca. E, na primeira oportunidade que este  teve estocou de forma mortal  o pescoço de Gregório. Sendo assim, Feliciano cumpriu sua promessa de matar Gregório.
Então um crime que todo mundo atribuiu a queima de arquivo e a uma conspiração arquitetada pelas forças políticas da época, já que Gregório era sem sobra e dúvida  um arquivo vivo, e podia comprometer de forma letal muitos dos personagens da cena política de até então. Nada mais foi do que um crime banal, motivado por ciúmes e disputa pelo poder entre detentos que teve como pivô um homossexual, ou seja, dentro da linguagem de baixo calão, uma motivação por “veadagem “ dentro do presídio.
Todavia se Feliciano, o vulgo Cometa, foi cooptado para dar cabo da vida de Gregório, quem fez, o fez muito bem, pois Feliciano  o odiava bastante e tinha motivo suficiente para fazê-lo.
O fato é que depois as coisas arrefeceram, e Feliciano voltou a ser respeitado pelos demais presidiários. Porém,  os cometário lá dentro do Frei Caneca deram conta que, realmente, o crime teve motivação passional. Agora é claro que o fato tem combustível suficiente para alimentar as duas versões. Com quem está a verdade... já era. Foi junto para túmulo com eles.
Fatos esses relatados por um carcereiro que serviu no Frei Caneca naquela época.
 
Obs: os fatos aqui relatados não tem o condão de ferir e nem de denegrir a imagem de ninguém, tampouco tem a pretensão de ser a verdade absoluta.
Ohhdin
Enviado por Ohhdin em 07/01/2010
Reeditado em 26/09/2010
Código do texto: T2015666
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Sobre o autor
Ohhdin
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
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