A ÁRVORE

Assunto demasiadamente chato esse de ecologia quando se insiste em coisas que a gente faz de conta que não interessa ou fica esperando acontecer as coisas ruins para depois tomar atitudes, não é mesmo? Vejam no que deu mais uma tentativa humana de reequilibar o planeta terra lá em Copenhagen. Nada de esperanças quanto ao fim dos ataques à natureza pelo predador-mor.

O lema da realização humana de ter filhos, escrever um livro e plantar uma árvore bem que poderia ser colocado em prática no quesito árvore. De tanto eu falar mal da relação das pessoas com os cães, daqui a pouco vão dizer que sou desumano. Quer dizer, “descanino”. Não é isso. Tem que se dar conta de que da árvore provém o sustento da gente. Seja com frutos e remédios, seja com o ar que ainda respiramos puro em alguns lugares. Então, por que também elas não merecem tratamento digno como o que está sendo dado aos cachorros? Claro que não falo aqui de levar uma árvore para passear. A não ser que seja ainda uma mudinha. Mas aí, leve e plante onde for o seu destino final. Ele não agüentaria muitas idas e vindas. Também não precisa dar banho como nos cães. Havendo muitas e bem cuidadas elas provocam o saudável equilíbrio das estações. Assim, choverá regularmente e serão lavadas.

Estava olhando umas plantas aqui em casa e chego à conclusão que o silêncio dos inocentes acaba pagando o pato, ou melhor, acabando com o mato. Trato-as mais ou menos bem. Não digo que não seja relapso. Às vezes, as pragas crescem tanto em volta, ameaçadoras, que arranco mais de vergonha do que vai dizer o vizinho do que propriamente para proteger suas raízes. As ervas daninhas sugam para si toda a substância protéica das árvores que produzem flores e frutos. Parecem até com certos humanos que nos rodeiam. Estranha essa natureza! Estranha e mestra. Tão estranha ultimamente que parece um ser uma intrusa no meio de nós.

No final, imagino que esta crônica tenha lhe suscitado pensamentos. Filhos, você resolve se terá. Há muita gente por ai que tem mais do que o necessário para a manutenção da espécie humana e isso é muito bom! Então não precisa se preocupar tanto caso não dê para tê-los. Quanto ao livro, já pensou que maravilha que seria se todos escrevessem ao menos um? Nem que fosse sobre a aventura de ter ou não um filho ou da árvore que foi plantada. Pode ser também sobre uma reviravolta na história, assim: “como passamos a dar tanta importância às árvores como damos aos cães.” Ou então pode se manifestar me xingando de babaca e otário de falar asneiras. Não tem problema.

josé cláudio Cacá
Enviado por josé cláudio Cacá em 15/01/2010
Código do texto: T2030481
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