TEM, SIM SENHOR!

TEM, SIM SENHOR!

Dizem que São Paulo não tem praia.

Tem, sim senhor! Fica bem ali no fundo do quintal, logo depois das piscinas. Local mais adequado: as cortinas, os tapetes, os móveis e os sofás não ficam impregnados de areia; a maresia não corrói os metais; o sol escaldante – maravilhoso lá – chega aqui arrefecido.

Quando queremos tomar um solzinho, pegar uma corzinha, juntamos as cadeiras de praia e o guarda-sol e damos uma esticadinha até lá. Os amigos nos acompanham na ida e na volta. É uma debandada geral; a fuga dos prédios de concreto para os castelos de areia; a troca do colarinho de gravata pelo colarinho de um copo de cerveja estupidamente gelada.

Tem deles que não gostam, mas se divertem mesmo assim e da outra vez vão de novo.

Na ida, os “caras-pálidas” vão agitados. É um congestionamento de sorrisos, conversas alegres e cantorias.

Na volta, os “peles-vermelhas” vêm calados, tambores surdos, congestionados de sol, cerveja e churrasco.

É no fundo do quintal que curtimos os melhores momentos da nossa vida. Deixamos de ser sérios, sem sermos vulgares, nos confraternizamos com todos, solidários no futebol de areia e na cerveja.

Lá, mulher não pilota fogão nem surfa na lavanderia. Ela desfila na passarela das ondas, exibindo biquínis para os quais ninguém olha – os homens não olham, elas desdenham; bronzeia o corpão na esteira de palha, quebrando pescoços, provocando trombadas e tropeções sensacionais. Lá, ela é Iara, Iemanjá, a deusa da praia, e quando passa, ondulando, os homens lhes oferecem flores com o olhar.

É pra lá que vamos aos fins de semanas prolongados, no carnaval, nas férias, no réveillon e até na lua de mel.