Uma crônica é uma crônica, é uma crônica.

 
Assim como Gertrude Stein disse que uma rosa, é uma rosa, é uma rosa e foi considerada gênio eu digo que uma crônica é uma crônica, uma crônica, embora correndo o risco de ser considerada imbecil.

O que ela quis realmente dizer com isso eu não sei, mas profundos estudos de renomados intelectuais garantem que ela escreveu este verso (sim, é um verso, faz parte de um poema chamado Sacred Emily) porque acreditava que a repetição revelava a verdade das pessoas e das coisas. Quanta a mim só quero dizer que uma crônica é apenas uma crônica e não carece de maiores explicações.

Eu nunca li Gertrude Stein e duvido que vá ler. Ler ou deixar de ler não vai fazer diferença em minha vida. Mas conheço essa frase desde pequena e sei quem foi a sua autora. Faz parte da minha bagagem cultural de inutilidades, mas que neste exato momento está sendo útil.
Pensei nela quando quis escrever meu texto diário, que decidira, seria uma crônica. - Mas o que é mesmo uma crônica? - Ora, uma crônica é uma crônica, é uma crônica, imbecil! Assim disse-me eu. Porque  costumo me dizer coisas. Em voz baixa, é claro.

Entre as coisas que penso uma é a de como faz falta ter um pensamento próprio. Pensar com a própria cabeça sem levar em consideração o que pensam as outras cabeças. Pode-se até pensar igual, o que nos levaria a um consenso, o que seria ótimo. Mas a maioria de nós pensa é com a cabeça do outro.  

Gertrude Stein disse: Uma rosa, é uma rosa, é uma rosa. Ficou até bonito. Forte e sonoro. Mas é apenas uma frase cujo significado se perdeu no tempo. E então alguém decide considerar a frase como obra de um gênio. E a partir daí está definido: é uma frase inteligente! Quem a disse foi um gênio. Oh! Que maravilha!

Usei a frase de Miss Stein apenas como exemplo. Nada tenho contra ela, nem a favor. Quase nada sei a respeito. Mas para dar uma opinião sincera seria preciso que eu a compreendesse. No atual estágio do meu desenvolvimento eu a compreendo da maneira mais simples possível: O que é uma rosa? Uma rosa é uma rosa. Só isso.

Mas o nosso mundo está cheio disso. Alguém diz que algo é bom e repete isso várias vezes. Então é bom mesmo, dizem muitos. Ou ruim. Se alguém falou que não presta e esse alguém tem certo prestígio então é porque não presta mesmo. A gente segue a onda sem analisar.

E embora quando comecei a escrever estava pensando em uma coisa o que saiu foi isso. E então vou terminar dizendo que isso é uma crônica, é uma crônica, é uma crônica. E vou adorar se alguém me disser que não é. Com argumentos.
 
 
Lavras, 13 de fevereiro de 2010