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CONCRETA INFÂNCIA, AGORA ABSTRATA

NA INFÂNCIA, ACORDAVA-ME, COM OS PASSARINHOS...SENTAVA-ME SOBRE A SOLEIRA DA PORTA, A OBSERVAR O NASCIMENTO DA MANHÃ. A NÉVOA DEIXAVA A CIDADE INVISÍVEL E O BEM-TE-VI COM O SEU CANTAR INESQUECÍVEL, POUSAVA SOBRE A ÁRVORE AINDA ADORMECIDA. ALGUNS PASSOS QUEBRANTAVAM O SOSSÊGO E O ZÉ PRETINHO, EM SEU BURRICO, DISTRIBUIA O LEITE NA VIZINHANÇA, ENQUANTO A NÉVOA TRANSPARECIA A SUA INVISIBILIDADE. EU, CONTEMPLAVA A CHEGADA DO SOL, DEPOIS DA AURORA PRENUNCIÁ-LO. E A MANHÃ DESPERTAVA MACIÇA, COMO UMA PINTURA BONITA, QUE NENHUM DINHEIRO ERA CAPAZ DE COMPRÁ-LA.
AQUELA BELEZA HIPNOTIZAVA-ME, QUE NEM A VONTADE DO DESJEJUM ME INCOMODAVA. ERA O CAFÉ DA VOVÓ, GOSTOSO, COM O SEU AROMA, ANUNCIANDO-ME QUE ERA HORA DE DEGUSTÁ-LO. PLANTEI-ME NAQUELA SOLEIRA, OLHANDO O VÔO DOS PÁSSAROS, DEIXANDO-ME A LEVEZA DA ALMA.
A MINHA CONCRETA INFÂNCIA PERDEU-SE NO PASSADO, MAIS AGORA ABSORVO A MINHA INFÂNCIA ABSTRATA, EM MINHA CAIXINHA DE SAUDADE!



07/08/06     TEREZA NEUMANN
Tereza Neumann
Enviado por Tereza Neumann em 08/08/2006
Reeditado em 31/08/2006
Código do texto: T212130


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Sobre a autora
Tereza Neumann
Salvador - Bahia - Brasil, 66 anos
330 textos (22026 leituras)
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Tereza Neumann