"LER É MAIS IMPORTANTE DO QUE ESTUDAR"

Ziraldo, um dos mais notáveis escritores brasileiros, nos ensina com muita propriedade: “Ler é mais importante do que estudar”. Quando diz isso em suas entrevistas deixa sempre claro a importância do estudo, não tem a intenção de depreciá-lo, o que quer na verdade é enfatizar o que a leitura pode significar na vida de todos nós.

No mundo dinâmico da informação, ler é uma necessidade básica. Quem não tem ou não cria este hábito fica para trás, porque a leitura leva-nos à investigação, a buscarmos cada vez mais, porque a partir dela somos sujeito e passamos a fazer nossas próprias escolhas, através do nosso livre arbítrio. Não nos vem imposta e assim incita-nos à curiosidade de conquistarmos o que quisermos.

A tese de Ziraldo está correta, um exemplo disso é que qualquer pessoa que seja alfabetizada e que se predisponha a buscar nos livros tudo o que precisa para aprender, consegue êxito. O ato de escrever também passa por este processo, nasce da leitura sistemática e de repente o “escrever” acontece, o que não é muito diferente do ato de ler, igualmente consiste num exercício contínuo, feito de constantes investidas e de muita persistência.

Entretanto, o “estudar” desassociado do ler é uma prática bastante comum nas escolas, pelo fato de que dá menos trabalho aos professores e, principalmente, porque se não lêem mesmo como vão convencer alguém, não existe essa de dar o exemplo sem vivenciá-lo de fato. Numa recente pesquisa realizada por uma “Agência” respeitada do gênero, foi constatado que 90% dos docentes das escolas de um determinado “Estado brasileiro”, leram no máximo dois livros em toda a sua vida e o que é pior, enquanto cursavam a faculdade. Desse modo fica difícil despertar no estudante o interesse por algo mais do que a mera repetição de sempre, o que o limita a saltos maiores, quando muito levá-o ao lugar comum da insignificância.

Tudo isso que estou a ponderar é para se chegar ao “saber”, o que pode não significar muita coisa para muitos, até porque quanto mais aprendemos fica-nos a sensação de que sabemos menos ainda, diferentemente daqueles que acham que conhecem tudo e, às vezes, sabem menos do que deveriam. Quem acha que sabe já começa por não saber nada. Quem sabe de fato não tem a necessidade de mostrar que sabe alguma coisa, verte naturalmente o seu conhecimento.

Que bom que chegasse o dia em que os nossos professores não fossem tão arrogantes a ponto de perderem a sensibilidade de enxergar nos seus pupilos: os verdadeiros mestres que todos os dias surgem sem que eles percebam, e que muitas vezes dependem de um simples regar para que aflorem. Infelizmente, encontram-se embebidos pela sua vaidade e egocentrismo delirante e estão cegos para um mundo, que definitivamente não lhes pertence.

Álvaro Santestevan
Enviado por Álvaro Santestevan em 10/05/2010
Código do texto: T2248612
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.