SÃO JOÃO EM MESSIAS TARGINO-RN-Matéria do Cantinho do Zé Povo-O Jornal de Hoje-Natal-RN-Ed. 26 de junho de 2010

Êita, vivendo e achando bom! Foi assim que esse amigo de vocês se sentiu; depois de participar da comissão julgadora do II Concurso de Causos e Mentiras do Mossoró Cidade Junina, na sexta feira proxima passada. Alí, o tratamento VIP (matuto sabe lá o qui danado é VIP ?! É munta petulança!...) por parte da organização do evento, na pessoa do produtor cultural Jocelito; nos faz notar que em algumas localidades, o trabalho da gente é reconhecido.... Após o evento, fui levado pelas mãos de Deus e de meu querido amigo Dr. Júnior Targino, para uma apresentação, no São João da cidade de Messias Targino, no Oeste Potiguar. Em Janduís, fui generosamente acolhido por êle, Dr. Júnior; e pela Dra. Avany. Dalí, fomos para o CANGAÍRA, que em tupi Guarany quer dizer, lugar de muita sombra; mas para mim, além do sentido literal da palavra, CANGAÍRA significa carinho, atenção e tratamento “n” estrêlas. E é o nome da fazenda do Sr. Paulo Targino e Dona Socorro, onde fui alvo de um carinho, do qual jamais pensei em ser merecedor. Prá começar, além da recepção dos proprietários, tive outra recepção de indescritível encantamento; proporcionada pelos “mocós selvagens”, que de selvagens, têm apenas o nome. Eles vêm “duis lagêro” dos arredores da Casa Sede; e se concentram ao redor da cadeira de balanço do seu Paulo, que fica “abêstaiádo”, no bom sentido, dando batata doce aos bichinhos, que entram e saem da casa, na peregrinação mais aconchegante que eu ví em toda minha vida, como se estivessem na intimidade das suas “tocas”. Alí, contei causos e poemas matutos, daqueles “cabeludos, com o consentimento dos donos da casa”; e que pelos motivos óbvios, não posso contar nas apresentações públicas... Em contra partida, também ouvi causos maravilhosos. Conheci uma turma maravilhosa de filhos, filhas, genros, noras e netos do seu Paulo. Também estava presente, meu amigo Raí, irmão de Telma, Chuchu Targino, Mano Targino, ex-dono do Beradêro; e também conheci Chico Boi, indivíduo que se emocionou relembrando seu não muito longínquo passado, quando declamei o causo, “o namorador de jumenta”, do meu mestre Arnaldo Farias. Ô turma boa da bixiga tabóca! Também não era para menos; “quem puxa aos seus, não degenera”, já diziam os sábios. Seu Paulo é irmão, entre outros e outras, do Dr. Júnior Targino, do saudoso ex-Deputado Valmir Targino; e do meu saudoso amigo Osnildo Targino, que no tempo de estudante, lá em Recife, tinha o apelido de “a ponte do Pina”; ganho em homenagem ao “acavalado tamanho da sua ferramenta sexual”. Segundo Dr. Júnior, tinha uma véia tarada, que era vizinha do CANGAÍRA, que quando Osnildo era rapazinho, pelas quebradas da mata, a véia “segurava na lucuvina do dito cujo, referido (valei-me Cel. Ludrugero!...) , com as duas mãos; e ainda sobrava quage mêi páimo daquêle mastro em riste”, para cima... E segundo Dr. Júnior, a véia, no auge de seu “entretenimento”, exclamava:

- Isso é uma riquêêêêêza!...

Vortando ao aipendre do CANGAÍRA; lambi uis beiço, quando ví,/ lá na mesa abarrotada,/ pamonha, cuscuz, quaiáda,/ pôico, panelada e quêjo./ Macássa, arroz sertanêjo,/ rapadura cum café,/ chôriço, sarapaté,/ frango caipira, uma belêza,/ pirão e de subrimesa,/ rapa de quêjo, cum mé...

Dalí, rumo à cidade de Messias Targino, onde tive também um tratamento “n” estrêlas, por parte da Prefeita Shirley e do seu esposo, lá dela... Fiquei maravilhado, com os Grupos de Idosos, com as Escolas da Rede Municipal, com as Bandas da própria região e com o forró pé de serra alí apresentado. Dona Prefeita, não precisa explicar nada; entendi perfeitamente o porquê da Sra. ser tão querida pelo seu povo. Nunca, em tão pouco espaço de tempo, me transportei ao meu passado, como na sexta feira e no sábado da semana próxima passada. Fechei os olhos e me ví ao redor de cada fogueira do meu amado Carirí Paraibano, onde eu me confundia com os costumes do povo e com próprio lugar... Tenho certeza que as tradições e as raízes culturais do nosso povo, alí por onde andei; estão longe de cair no esquecimento. Urge que surjam outras Fafás Rosado e outras Shirleys, para que nossos bis e trinetos conheçam as tradições e folguedos dos seus ancestrais. Obrigado Deus; e obrigado a todos (as) vocês, pela atenção, pelo carinho, pela estadia, e principalmente; pela certeza da preservação dos custumes, das tradições e das raízes culturais do nosso povo. Deus lhes abençoe!...

Bob Motta
Enviado por Bob Motta em 26/06/2010
Código do texto: T2342145
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