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Arranhão também ensina


Uma coisa que eu acho fundamental é dar nota dez. Se algum dia você já teve pensamentos do tipo: “... eu sou mesmo um zero à esquerda...” e se por acaso, me conhecer, tenha uma certeza: você tem, ou já teve uns três zeros à direita. É isso mesmo: quando me conheceu você ganhou um conceito mil, ou para ser mais simplista, uma nota dez.

É mais ou menos como eu digo no começo do ano aos alunos: - Saibam que vocês todos já estão aprovados! Por favor, não se desaprovem, OK? Eles acham engraçado mas a verdade verdadeira é essa mesma. Todos têm dez e eu torço, sinceramente, que continuem tendo, inclusive, nas avaliações. Coisa técnica esse negócio de prova na escola!

Não por coincidência, na vida e nos relacionamentos acontece o mesmo. A pessoa é mil, banhada de ouro, cravejada de brilhantes, como diria a minha santa vovozinha, que Deus a tenha. Mas sabe como é, pessoas não são barras de metal cujos arranhões são essencialmente por fora. A gente arranha e se deixa arranhar mesmo é por dentro. Logo, a sua nota não está em você, mas decodificada numa espécie de valor que cada um dos seus conhecidos tem de você, bem guardado. Não que seja um segredo, necessariamente, e às vezes é, mas prima por ser algo internalizado.

Assim como se faz aos alunos, é possível conceder alguma revisão, ensaiar um olhar novo sobre questões mais intrincadas. Aí vem o melhor, ou o pior, como queiram: às vezes o conceito sobe mas também pode ser que desça aos extremos. É a vida! Por sorte, ao contrário da escola, na vida somos eternos alunos mas também professores. Por vezes somos catedráticos, noutras, boçais. Se você não concorda, abra o noticiário, os olhos, o coração, que isso é com cada um.

Voltando aos meus alunos, os acadêmicos: independente da nota eu gosto mesmo é de interagir. Creio que a interação esteja para uma bem sucedida prova, assim como o arranhão está para um aprimorado... zero.

O lado bom é que arranhão também ensina. É aí que entra uma outra espécie e não menos importante  nota: a que você se dá. Mas isso já são outros quinhentos... ops, mil... não, dez!
Cissa de Oliveira
Enviado por Cissa de Oliveira em 12/07/2010
Reeditado em 26/02/2011
Código do texto: T2373807

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Sobre a autora
Cissa de Oliveira
Campinas - São Paulo - Brasil
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Cissa de Oliveira