UMA GOTA DE AMOR

Fatos verídicos = nomes fictícios

Alice

Ela era uma trabalhadora de nosso grupo.

Sua tarefa era selecionar e distribuir as roupas usadas que ganhávamos para doar às nossas assistidas.

Alice fazia desse trabalho um sacerdócio. Consertava, remendava, pregava bo-tões, lavava e passava.

Fazia isso com o maior capricho. Quem a visse com a sacola de roupas, experi-mentando, dando opinião, ajudando a escolher, pensaria que se tratava de uma vendedo-ra gentil querendo negociar o seu produto.

Muitas vezes recebíamos roupas sujas, rasgadas, imprestáveis, mas, nas mãos habilidosas da Alice eram lavadas, costuradas, sob postas, pespontadas e depois cober-tas com uma capa feita de retalhos coloridos transformando-se em uma bonita coberta para berço.

Fany

Fany era muito pobre. O marido ganhava o suficiente para a sobrevivência mo-destíssima. Muitas vezes ela mesma precisou de ajuda, pois já era idosa e não tinha mui-ta saúde, mas assim mesmo trabalhava com as crianças e plantava vasinhos de violetas que vendia para com o dinheiro comprar balas para elas.

Zélia

Zélia fazia a sopa para as gestantes e seus filhos.

Nós tínhamos estrutura para dez assistidas, mas chegamos a ter mais de vinte. Elas traziam os filhos e a Zélia chegou a servir mais de 50 pratos de sopa no dia.

Recebia donativos de material para essa sopa, mas estes nunca eram suficientes. Ela completava, muitas vezes com sacrifício, pois tinha condições modestas.

Noêmia

Noêmia foi morar próximo a uma favela.

Penalizada com a situação das crianças que vagavam pelas imediações, sujas, famintas, mal cuidadas, começou a reuni-las em sua casa todas as tardes depois que vol-tavam da escola. Ajudava-os com as lições, brincava com eles, dava conselhos, ensina-va-os a rezar e a proceder com retidão, dava-lhes lanches.

O grupo foi aumentando, cada vez mais crianças apareciam, diga-se a verdade, mais pelo lanche do que pelos ensinamentos, mas Noêmia acreditava que a sementinha ficava plantada e um dia germinaria.

Chegou um ponto em que ela não podia mais recebê-los em sua casa, e então, um vizinho cedeu um terreno baldio onde com a ajuda de algumas pessoas foi construí-do um barracão para abrigar a criançada e algumas pessoas apareceram para ajudá-la financeiramente e também com o seu trabalho.

Assim nasceu e foi crescendo o Cantinho das Crianças que hoje tem o patrocínio da Prefeitura e funciona no salão de festas de uma Igreja.

Geruza

Quando Geruza veio trabalhar conosco foi logo dizendo:

- Não sei fazer nada, mas faço tudo.

Ótimo! Estávamos precisando de uma faxineira e foi para lá que a Geruza foi.

Olhe que não era pouco seu trabalho, varria todo o prédio, limpava os banheiros, enchia as talhas com água, lavava os pratos, etc...

Geruza tinha boa condição financeira. Na sua casa tinha empregadas para todo o serviço, mas tinha prazer em colaborar com nosso trabalho voluntário.

Heloísa

Heloísa ficou viúva com uma única filha e, algum tempo depois, adotou duas meninas especiais às quais deu todo seu afeto e proporcionou todo o tratamento de que precisavam para minorar suas limitações.

Marina

Mas de tudo que presenciei o que mais me impressionou foi o caso da Marina.

Marina era uma de nossas assistidas que esperava o terceiro filho

Certo dia ela chegou e pediu algumas peças de roupa para dar a umas pessoas necessitadas que estavam em sua casa.

Explicou::

.Eles vieram do interior, estão procurando serviço, mas enquanto não encontram estão passando necessidades.

- Você os conhecia?

-Não, mas eles estavam sem dinheiro não tinham para onde ir, fiquei com pena.. É um casal duas crianças uma moça grávida e um rapaz.

Não pudemos deixar de perguntar:

-Mas você tem onde acomodar tanta gente.

- Tenho uma cama de casal e um beliche.

-O suficiente para acomodar sua família!

- A gente dá um jeito, levamos as crianças para a nossa cama, pusemos um forro no chão...

- E até quando eles vão ficar na sua casa?

-Até arranjarem serviço e poderem alugar a deles.

Quando fui dar a minha aula de Evangelho naquela tarde fiquei com remorso. Estava ali para ensinar, falar de amor e de caridade, mas nunca teria coragem de fazer o que aquela mulher humilde e ignorante tinha feito.

É, Marina! Naquela tarde quem deu a aula de Evangelho foi você!

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Como vêem, o amor existe. Estas são apenas algumas gotas que formam o oceano das boas ações e, se não o vemos com mais freqüência, é porque ele é silencioso, não faz alarde, não é notícia.

Maith
Enviado por Maith em 06/09/2010
Reeditado em 06/09/2010
Código do texto: T2481367