“QUEM ME ROUBOU DE MIM?"



"Toda forma de saber nasce
de um não saber" (Fábio   de
Melo)


"Quem me roubou de mim?" Este é o título de um livro escrito por Fábio de Melo, que se diz tanta coisa: canta, assovia, dança, sapateia e ainda por cima tem lá o seu canudo de filósofo. Gostei desta pergunta e me fiz, isto porque não estou me encontrando no lugar para onde vim,  considerado por mim como um refúgio. Até parece que houve o "sequestro da minha subjetividade" . Solidão, acho que é o que sinto neste momento, caracterizada pela "ausência de mim mesma".
 
Só indagações, questionamentos tenho me feito. Se observo o universo daqui da minha rede na varanda não imagino a sua grandiosidade, quero saber como ele surgiu,  já que tudo que existe tem que ter um começo. Assim, ao invés de enxergar a beleza de um céu estrelado, de uma lua cheia, da imensidão do mar, fico duvidando de quem é atribuído a sua criação: Deus, quero saber como Ele o criou e como Ele próprio se criou, se  surgiu do nada absoluto.
 
E as pessoas, como as vejo? A começar por mim quero saber quem sou, mas nem isso eu sei, sei que me chamo Zélia, mas bem poderia me chamar Joana, mudaria alguma coisa? Se eu não sei nem quem sou, como posso saber das pessoas? Na filosofia, fácil é fazer perguntas, difícil é responder.


Sei não...Ah! Que cada um procure a sua verdade e construa a sua própria imagem do mundo e da vida, pois eu, embora reconhecendo que para toda pergunta deva ter uma resposta certa vou continuar procurando a minha,  por enquanto me sinto perdida. Ou feito a Clarice Lispector, não perdida, mas
 na captura de mim mesma e quem sabe tentando desmascarar sob o verniz do cotidiano  um mundo de desejos e fantasias inconfessáveis.
 
 
Zélia Maria Freire
Enviado por Zélia Maria Freire em 20/10/2010
Reeditado em 20/10/2010
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