"No meu tempo"

Romeu Prisco

Cada vez é mais comum se ouvir essa expressão saíndo da boca de jovens, assim considerados, no caso, aqueles entre 15 e 20 anos de idade, enquanto "antigamente" ela era reservada para as pessoas mais velhas.

Via de regra, a expresasão vem acompanhada de uma certa nostalgia, a demonstrar que, para quem a pronuncia, "no seu tempo", as coisas, principalmente o comportamento e as atitudes humanas, eram melhores, mais educadas, mais respeitosas, menos desonestas, menos violentas e menos agressivas do que atualmente.

Então, quando pessoas na flor da mocidade se referem, suspirando, aos seus passados, o que isso significa ? Antes de responder, permitam-me fazer algumas colocações.

"No meu tempo", um beijo dado na boca, em público, era passível de caracterizar atentado ao pudor. Hoje, o que se vê, são beijos e "amassos" dados em público, até por indivíduos do mesmo sexo, sem o menor constrangimento.

"No meu tempo", namorados de 15 a 20 anos de idade não dormiam juntos nas casas paternas e nem mesmo nas casas não-paternas. Hoje, quando eles fazem isso, os pais, se não aprovam, também não desaprovam e menos ainda conseguem educar seus filhos simplesmente com um "olhar".

"No meu tempo", era proibido dirigir um veículo automotor em trajes sumários e descalço. Hoje, principalmente motoristas de transportes pesados, dirigem seus veículos nas estradas usando apenas uma bermuda e calçando sandálias.

"No meu tempo", sacerdotes e militares desfilavam pelas ruas vestindo, orgulhosos, seus trajes típicos. Hoje, sacerdotes e militares se misturam à massa anônima, não sendo de se estranhar se, de soslaio, ainda praticarem alguns atos que, devidamente "paramentados", jamais praticariam.

Agora, respondendo à pergunta. Para mim, isso significa que os hábitos, usos e costumes estão se deteriorando mais rapidamente. Às vezes, da noite para o dia. "No meu tempo", a evolução das coisas, tanto para melhor, como para pior, era mais lenta. O telefone celular de hoje, equipado com recursos antes nunca imaginados, amanhã será descartável. A corrupção de hoje, que causa um rombo homérico no erário e deixa todos boquiabertos, amanhã, diante de outra, será café pequeno. O rigor da lei, de hoje, tende a desaparecer, para que, amanhã, se concedam mais benefícios e privilégios a quem não merece. E assim sucessivamente...

Bem, acho que posso ficar por aqui, tentando, doravante, pensar somente no futuro, porque, afinal, é lá que vou viver o resto dos meus dias.

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