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A VIDA - SEMPRE É TEMPO


Distraídos ou não, costumamos observar as pessoas, seus movimentos, a pressa ou o marasmo de uns e outros. Mas, geralmente, o foco sempre é a criança. No início pode ser qualquer criança, talvez observando suas atitudes, seus interesses, as disputas nas brincadeiras, na escola, o comportamento entre coleguinhas, coisas normais em qualquer um, inclusive nos adultos...
Depois, observamos as nossas crianças... Já não se trata de nossos filhos, mas dos filhos deles, os netos, portanto.
É um caminho longo percorrido até aqui, cheio de histórias, de acontecimentos que o tempo vai proporcionando com a sua passagem inexorável.
Quando somos novos, nunca pensamos seriamente no futuro. Desejamos, sonhamos, trabalhamos, com objetivo ou não, ou simplesmente fazemos a parte que nos cabe entre a família, aquela da qual viemos, e depois, aquela que nós formamos.
Sempre temos oportunidade de lembrar algo de nossa vida, alguns momentos, a nossa infância, nossas experiências, as brincadeiras, muitas delas perigosas. Sabemos que o mundo é muito grande, mas, conhecemos apenas, o nosso. O nosso mundo se resume à família, e, dependendo da idade: da escola.
Mas, essas são coisas externas, o mundo à nossa volta, as coisas com as quais temos de conviver, aprender, conhecer...
Mas, e o nosso interior? O nosso sentimento?
Temos uma aparência, trazemos os traços geneticamente, mas, muitas vezes nossa maneira de pensar, de agir, de sentir, também podem se assemelhar aos dos nossos pais, parentes, ou mesmo através da convivência, da educação.
A religião, o temor a Deus tem sido o parâmetro de comportamento da maioria das pessoas, qualquer que seja o credo, a raça, a condição social.
E, um dia percebemos que as coisas mudaram, houve um crescimento nas crianças que fomos, os anos foram transformando nosso mundo pequeno, crescendo conosco. Os hábitos, as necessidades, oportunidades, também mudaram, e com elas, as dificuldades, as novidades, a visão pequena admirada das diversidades de objetos, instrumentos, não só ampliadas, mas modificadas, outras acrescentadas... Uma mudança geral nos conceitos, nos empregos  das ferramentas- que hoje são muitas ... Constatamos que já não somos os mesmos. O mundo não é aquele que conhecíamos, a prova está na forma de viver.
Muitas  são as novidades, se compararmos as épocas. Mas já nos acostumamos ao novo, a vida permite isso. As coisas do passado foram superadas, ampliadas, modificadas, ganharam nova forma e utilidade múltipla, como o simples telefone celular. Hoje estamos praticamente robotizados. Não sabemos andar sem um desses aparelhos. Eles regulam nossa vida. Em suma. “Hoje, somos escravos da tecnologia de ponta.”
Nosso tempo é regulado por esses pequeninos aparelhos. Sem dúvida, facilitaram a vida. Mas, facilitaram mesmo???
Há uma grande interrogação no interior de cada um, somos todos trabalhadores estressados, sempre cansados, angustiados, atrasados e infelizes.
Não há tempo para sonhar... Para aguardar esperançoso por aquele encontro amoroso... Não há tempo para o antigo “flirte”, passear de mãos dadas, apreciar a beleza da natureza, os jardins floridos, ou simplesmente deixar seus pensamentos vagando enquanto deitado em uma praia, acompanhando o movimento das marés sob o sol...
Não existe mais “namorar”. Tudo é muito rápido, é apenas o momento. É “Ficar”.
Tudo ficou muito vago, vazio, as palavras foram substituídas pelos gestos apressados, pelo olhar distraído, que olha, mas não vê... Os sons, que embalam a mocidade de hoje, são ruídos, histéricos, barulhentos... Quase não existe musicalidade, é só barulho, metais substituindo as cordas, excitando, euforizando, não mais acalmando, deleitando...
Tudo isso em nome da modernidade.
As famílias quase não existem mais. Dificilmente pode ser encontrada uma reunião familiar em volta de uma mesa... Os horários, os compromissos não permitem mais essa união. Tudo está se desagregando. O trabalho foi desvirtuado, não existe alegria em exercer uma profissão, com raras exceções naturalmente. A grande maioria trabalha para ter dinheiro, para consumir as novidades que o “mercado” põe à disposição. Então, não se tem mais tempo para nada. É só correr... Não se vive mais! A infância é rápida e acompanha a vida adulta. Os adolescentes têm dois caminhos: ou lutar como os pais, ou,  se acharem que a vida é uma droga, vamos viver com ela- a DROGA. Essa é fantasiosa, mas produz prazer.... È o que muitos pensam!...
Ledo engano. A droga é fuga, é preguiça, é desrespeito por si mesmo.
E o mundo se transformou em um grande parque de diversão... Tudo e todos estão rodando... Como se fossem marionetes, e precisassem de corda para viver (como os antigos relógios).
A Natureza responde ao desrespeito às suas regras... A fatalidade vem para corrigir os erros, os avanços insensatos do ser humano...
Tudo na vida é cíclico. A vida roda como os astros no infinito...A mudança é visível. Lágrimas e tristezas fazem parte desse universo, como os risos...

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L. Stella Mello
Stella Mello
Enviado por Stella Mello em 07/02/2011
Código do texto: T2778562

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Sobre a autora
Stella Mello
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
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