Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Devaneio.

As palavras rebelam-se e não querem sair de mim. Tomam-me por inteira. Já não sou senhora delas; sou serva e como serva calo.
Um silêncio confuso mora em mim. Sou feita de palavras ambivalentes: sombrios e esperançosos vocábulos. Ou antes, o contrário, pois a sombra ocupa o espaço da esperança.
Conflito, talvez seja esse o motivo da revolução. Venho investigando a razão. Razão? Era muito mais fácil sentir.
Agora impera a indecisão: Querer e não poder. Querer mais que poder. Querer e não querer.
Tão fácil esquecer enquanto ando na praia. Tão fácil me esquecer no mar. Andar sob o sol, segurando o chapéu com a mão. Receber o vento com alegria. Não falar, apenas ouvir o mar.
Difícil é alinhar palavras. Mais difícil organizar pensamentos. Quase impossível domar emoções. Aposto na respiração e ganho. Liberto palavras à toa, sem rigidez, nem ambição de ser boa nisso que faço. Tão bom como andar na areia molhada seria não ter a vontade forte que tenho, mas que não se confunde com força de vontade, pois esta ainda não conquistei.
Eu treino força de vontade e paciência. Até bem pouco tempo exercia prazer e ilusão. Hoje não.
Quem disse que precisa treinar o que é natural? Ninguém diria tal asneira. O que é instintivo flui como água, não requer disciplina. Escrever e ser paciente, sim.
De preferência eu seria onda e espuma, vento e coqueiro, areia e mar. Eu seria somente praia a esperar.
Evelyne Furtado
Enviado por Evelyne Furtado em 14/02/2011
Reeditado em 14/02/2011
Código do texto: T2791928

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Comentários

Sobre a autora
Evelyne Furtado
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
974 textos (140416 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/05/21 13:21)
Evelyne Furtado