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Sinopse

Nos becos escuros corro contra o tempo, desde 1985, vivo em um limitado físico, mas a expansão das viagens e idéias ultrapassam qualquer meridiano. Nesses becos encontro de tudo, vez ou outra diminuo a velocidade. Pulso, e num impulso atravesso (mas volto) com a pretensão de não deixar nada pra trás. Defendo ideais, e por isso no caminho tropeço em gangues de mafiosos de todo mundo, subindo várias escadas, contando cada segundo. Se a natureza é quem traduz a vida, sem sentido é se suicidar no tronco de uma árvore, ou se engasgar com um beija-flor. Por mais que pensamos diferente, tem sempre alguém no mundo que pensa como a gente! A velocidade no beco aumeta com a adrenalina, lógico. Eu posso amar facilmente, o problema é o custo-benefício que atrasa (ou acelera, depende da ocasião) a minha passagem pelo beco. Mas é claro que com isso eu também não me importo, afinal eu tenho vários caminhos, os becos se encontram em imagens tridimensionais que me dão uma boa sensação de escolha. O vinho também aquece, faz bem, inversamente proporcional à quantidade. Fica a escolha: Prazer ou velocidade! Neste caso é assim, impreterivelmente. Leio conceitos nos cartazes dos becos, construídos uns pelos mafiosos, outros pelo tempo, e há os que foram construídos ao longo de uma seção de surf onde se podia, uma vez que a densidade do sangue é favorável, guardar no peito mensagens de respeito aliado à busca incansável pelo que pode ser contestável. Continuo correndo no beco, não posso parar, isso significaria o fim, a tão temida morte (vez ou outra não tão temida quanto a vida). É eu sei, relaciono vida à natureza, mas que seja. Como é delicioso temer a natureza, a adrenalina de lutar contra alguém que está do seu lado é inexplicável, é como brincar de empilhar cartas do baralho, você pode montar e ele pode cair, é só montar denovo. O que não pode é deixar o baralho cair no chão molhado de sangue, a carta pesaria mais. E por falar em sangue, sabe o beco? São as veias que estão dentro da gente. Eu parar por aqui poderia significar um entupimento, a menos que eu deite e vá num tobogã onde não se sabe onde vai parar. Tudo bem, eu vou voltar mesmo. Só tome cuidado para não se cortar!
Júnior Leal
Enviado por Júnior Leal em 06/11/2006
Código do texto: T283486


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Sobre o autor
Júnior Leal
Lagoa Santa - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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Júnior Leal