Medo de Religião, de novo

Com bastante tristeza sou levado a estabelecer uma conexão entre o que aconteceu ontem, em Realengo, Zona Oeste do Rio, e o texto “medo de religião” que publiquei em 04/04/2011 aqui no RL. Ontem pela manhã um jovem de 23 anos assassinou a tiros, sem nenhum motivo aparente, mais de uma dezena de crianças que assistiam aula em uma Escola Municipal, tendo se suicidado após ser ferido por um policial.

O autor do massacre deixou uma carta contendo citações religiosas. Daí a correlação que estabeleço com o referido texto de minha autoria.

Costumamos colocar tudo na conta de Deus ou Jesus, achando que deles tudo provém. Pode até ser que sim. Acontece que NÓS somos os atores. Como também os autores do que cometemos. É razoável imaginar que se tivéssemos a exata noção do que estamos prestes a cometer, talvez deixássemos de fazê-lo. Quem sabe não foi essa a razão que levou JC a dizer: “Perdoai-os, Senhor, eles não sabem o que fazem”.

E muitos pretensos religiosos, assim como falsas escrituras, além de não saberem absolutamente o que dizem ou fazem, ainda conseguem ter seguidores. Pessoas que estão nesta situação por não reunirem os menores recursos que lhes permitiriam avaliar o que lhes tenham transmitido. Certos ensinamentos tidos como religiosos não deveriam ser aceitos plenamente sem discussão. Sob o risco de nos tornarmos esquizofrênicos ou muito menos religiosos do que imaginamos que somos.

Acreditar em Deus é uma condição natural do ser humano, devendo ser respeitado quem pensa o contrário. Mas o que não faz sentido é aceitar que tudo possa ser o resultado da vontade divina e não do homem. Pois dessa forma ocorrências como o massacre do Monte Meadows e as atrocidades cometidas pela Santa Inquisição, pra ficar nesses dois exemplos, nada teriam de anormais ou anti-naturais.

Nessa situação a religião pode dar medo.

Maricá, 08/04/2011

Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 08/04/2011
Reeditado em 10/04/2011
Código do texto: T2896192
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