"NÓIS VAI PRU POGRESSO"


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Nos tempos de estudante, principalmente secundarista, não gostava de Português (a matéria). Entendia que aquele negócio de sujeito, predicado, objeto direto, objeto indireto, análise sintática e afins era tudo uma grande bobagem. Sempre gostei de exatas e não via com bons olhos perder-se tempo estudando Português. E confesso que até hoje ainda me atrapalho com as regras da língua, pois o nosso idioma é extremamente difícil, principalmente pela enorme quantidade de verbos, bem como todas as suas conjugações.
 
            Mesmo assim, sempre fui muito ligado na leitura e, na falta de um bom livro, lia até gibi, pois não me sentia bem longe das letras. E isso fez de mim um sujeito letrado, com uma escrita relativamente boa e que preza o idioma que aprendeu. Ainda lembro que era fã ardoroso do “Jornal da Tarde” (do Grupo Estadão), isso no tempo em que ele era um grande jornal. Além de ter um Português impecável, foi o órgão da Imprensa que mais lutou contra a ditadura militar, a ponto de ter ironicamente seus editoriais substituídos por receitas culinárias em virtude da violenta censura da qual era vítima.
 
            Mas esse problema da dificuldade da Nossa Língua Portuguesa está definitivamente resolvido com o lançamento do livro intitulado “Por uma Vida Melhor”, que faz parte da coleção “Viver, Aprender”. Dizem que a linguagem popular é válida e, portanto, correta. Em decorrência disso, alguns iluminados lançaram a ideia de que escrever e falar errado também está certo. E o Ministério da Educação e Cultura (MEC), abençoou-a. Afinal, não interessa ao governo a formação e o desenvolvimento de um povo culto e inteligente, pois isto sempre foi e sempre será uma grande ameaça. Sendo assim, cada qual fala e escreve como bem entender, mesmo que para isso a língua portuguesa seja aviltada. Ou melhor, de agora em diante “nóis fala i nóis iscrevi cumu nóis qué, e tamu cunversadu, tá ligadu manu?”. Que seja assim, ainda que quem fale não entenda de coisa alguma.
 
            Não vou me estender sobre os exemplos citados pelo próprio livro (livro???) para justificar as aberrações nele contidas, uma vez que já foram fartamente publicados na imprensa. Cito apenas um: Dizem que a frase “os menino pega o peixe” está correta, pois o artigo definido “os” que se refere aos “meninos” já indica o plural. E que o verbo “pega” no singular não atrapalha a ideia. Tá certo!!!
 
            Tão espantoso como este, é o caso do kit anti-homofobia (conhecido como kit-gay), com três vídeos sobre transexualidade, bissexualidade e lésbicas e que poderá ser repassado para estudantes do ensino médio das escolas públicas. Mas sobre este assunto não vou comentar, uma vez que meu estômago já está começando a embrulhar ao sentir tantos absurdos ocorrendo ao mesmo tempo neste país varonil e de ordem e “pogresso”.
 
            O poeta Olavo Bilac profetizou, meio sem querer: “Criança, não verás país nenhum como este”. E ele acertou na mosca, pois do jeito que a coisa anda “a gente não vamos” ver mais é país nenhum, “a menas” que (Ah, Lula!) as coisas mudem e pessoas comprometidas com o bem, com o crescimento e com o progresso assumam de vez os nossos rumos.
 
            Tá ligado meu ???
 
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Arnaldo Agria Huss
Enviado por Arnaldo Agria Huss em 25/05/2011
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