Entre o "ser" e deixar de ser criança...

Ontem a tarde, aproveitando uma temperatura agradável que ultimamente vem se tornado raridade em Santa Catarina, pois ultimamente o termômetor tem insistido em andar agarrado no sinal de menos, fui convidado pela minha namorada a sair da toca do hotel pra tomar um delicioso cappuccino..., que entre conversas a respeito dos políticos de ficha suja e o retorno da novela o Astro..., ela lembrou que prometera dar uma boneca de presente para uma amiga dela...

- Mô, vem aqui comigo que eu preciso comprar um presente.

Ao entrarmos na loja, a moça educadamente e pacientemente foi mostrando cada boneca e falando da reação de cada uma.

- Essa aqui, você aperta a barriga e ela faz isso...; Essa aqui, você puxa os cabelos e ela faz aquilo...; Essa aqui, se você colocar a chupeta na boca dela, tirar a comida, água e o piniquinho, ela quase não chateia...(rs)

No meio daquele universo de bonecas, cheguei a pensar:

- Já pensou se a moda pega, do jeito que as bonecas estão evoluindo tanto, daqui a pouco vai ter mulher preferindo criar bonecas a criar filhos..

E enquanto me perdia nas minhas imaginações elas comentavam.

- Para os piás é carrinho, bonequinho, tratorzinho, agora pra menina é fogãozinho, vassourinha, rodo, geladeira..., uma forma "deles" incutirem na cabeça do povo que essas atribuições foram feitas exclusivamente para as mulheres... [Assunto que eu quero deixar para a próxima crônica]

Bem, eu sei que nem sei qual foi a conclusão que elas chegaram, pois como a loja era muito grande e tinha muito brinquedo, eu acabei me perdendo enquanto brincava com alguns deles...,, e essa atitude acabou me remetendo ao tempo em que eu fui criança, os albuns que eu colecionava do Campeonato Brasileiro, me lembrei também de um album da Disney que eu não conseguia completar de jeito nenhum por causa de uma figurinha, era a baleia, ela era dificílima de achar...,, minhas bolas de gude guardadas em uma lata de Neston, aliás eu nunca entendi porque a Nestlé, nunca fez uma coleção de latas para as crianças que gostava de juntar bolas de gudes na lata dela..., e o meu pião, era cedinha, minhas pipas, tudo pião, só gostava de rabiolas grandes..., e assim eu caminhava pela loja inteira, futucando tudo que era brinqueo que nada tinha haver com os meus brinquedos da época é claro, mas era brinquedo e como o próprio nome diz, resolvi brincar...

- E se no lugar da boneca eu desse um balde de massinha pra ela, o que você acha, pretôôôô?

- Eu também acho legal, mas o que eu estou achando mais legal aqui dentro dessa loja é que estou lembrando que eu tinha uma coleção de ônibus de miniatura e que um belo dia eu peguei todos eles e presenteei um dos meus priminhos...,

Você precisava ver, mô, quando eu cheguei com os carrinhos e dei pra ele..., os olhinhos dele brilhavam como se tivesse vendo pepitas de ouro..., eu, engraçado ficava profundamente feliz por ele está feliz, mas não sentia tristeza por está me desfazendo da minha coleção.

E foi justamente nesse instante que Deus aproveitou para conversar comigo a respeito do que ele diz através do Apóstolo Paulo.

"Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. (I Co 13.11). "

E assim pude perceber que me desfazer de uma coleção de brinquedos significava muito mais, significava o rompimento com uma espécie de idolatria e adoração, que também atende pelo nome de coleção..., foi possível perceber que por uma questão de instinto materno os meus brinquedinhos foram "coniventemente" protegidos...

- Não mexa na coleção do seu Pai, você sabe que ele não gosta, você sabe que ele tem ciúmes...

E inconscientemente nesse momento nem a Mãe nota que mais do que educar a criança para não mexer nos "brinquedinhos" do Pai..., na verdade se esconde por detrás desse cuidado, uma deficiência no amadurecimento de um homem que ao confundir "está" criança com "ser" criança, compromete toda a formação educacional dos seus filhos, compromete a qualidade das brincadeiras com seus filhos, compromete o momento do aprendizado quando ambos estão brincando, compromete o seu crescimento como esposo e lamentavelmente compromete a sua formação como o Cabeça da Família que de coleção e infantilidadevem deixando a família e suas responsabilidades para o segundo plano...

Pagamos a conta, pegamos o pacote, eu voltei para o hotel, e ela para a sala de aula.