MINHA TERRA ERA ASSIM

Itabaiana-PB, a cidade onde nasci e vivi minha infância e adolescência, era um lugar tranquilo, bucólico, gostoso de se viver.

As portas e janelas das casas podiam ficar abertas o dia inteiro, e não tinham grades. À noite, após o jantar, os adultos sentavam nas calçadas pra conversar, os jovens se reuniam nos bancos das praças para debater sobre assuntos variados e as crianças brincavam livres, cheias de criatividade. Tempo bom que não volta mais...

Naquele tempo não se falava em computador, quem possuía uma máquina de escrever e/ou um bom rádio já se sentia privilegiado. Televisão, telefone, automóvel eram artigos de luxo restritos à classe média alta. A propósito, desde sempre, o dinheiro distancia as pessoas, tornando-as cativas, isoladas.

A escola pública era bem melhor que as particulares, tanto que para ingressar no Colégio Estadual de Itabaiana, o candidato se submetia a uma seleção bastante concorrida, como um vestibular. E o orgulho que sentíamos da nossa escola? A igreja de Itabaiana ainda é uma das mais belas que já vi, linda!

As crianças e jovens respeitavam os mais velhos; os pais tinham autoridade e eram venerados pelos filhos. A vizinhança era composta de pessoas simples, solidárias, generosas, sempre procurando ajudar umas às outras, dividindo o pouco que tinham com os mais desvalidos, mais parecia uma grande família.

Não se ouvia falar em drogas, estupros, assaltos, sequestros; os homicídios eram raros, assim como os acidentes (geralmente de trem).

A vida corria mansa como as águas do Rio Paraíba durante o verão, a paz só era sacudida quando dava cheia no rio e alguém morria afogado; quando algum cidadão enchia a cara de cachaça e chegava em casa quebrando tudo, inclusive batendo nos filhos e na mulher (infelizmente, esse tipo de violência sempre existiu); quando um boi brabo se soltava ao ser levado para o matadouro; quando alguém com problemas mentais tinha uma crise e corria pelas ruas transtornado, ameaçando agredir quem se aproximasse; e no período eleitoral a cidade também ficava muito agitada com disputas bastante acirradas, coisas desse tipo. Ah, são tantas as lembranças...

Jandira Lucena
Enviado por Jandira Lucena em 15/11/2011
Reeditado em 15/11/2011
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