DEZEMBRO

     Assim como nas ações em que é parte o governo e para ele conta-se o prazo em dobro, o período “natalino”, de comercial interesse aos órgãos que o controlam e dele se beneficiam, carece de dilação. O mês de dezembro é pouco, não só para a farra do consumismo, mas também para os compromissos que se acumulam e coincidem com as festas de fim de ano. Sessenta dias, prorrogáveis por igual prazo, talvez atendessem à demanda. Oferta e procura se equilibrariam de forma menos estressante para os interessados.

     O fato é que o mês de dezembro concentra uma série de compromissos envolvendo gastos, agendamentos, acúmulo de tarefas, incompatibilidade de horários, tudo restrito aos últimos trinta e um dias do ano. A corrida às lojas se intensifica à medida que se aproxima o dia de Natal. O comércio vira uma feira estilizada, os shoppings lotados de gente se topando, aquele fuzuê nas praças de alimentação, o sobe e desce das escadas rolantes repletas de gente carregando embrulhos e sacolas, a fila para os estacionamentos, enfim; tudo contrário à paz anunciada pelo menos festejado e quase esquecido Messias, e bem ao jeito do que o diabo gosta.

     As calçadas, já tradicionalmente invadidas pelos camelôs, tornam-se uma zorra inviável aos passantes. Panfleteiros disputam espaços com os piratas. Lojas com sons altíssimos anunciando promoções. Até farmácia entra nessa guerra. O trânsito, já intenso todo o ano, é um caos completo nessa época, reprimido pelo excesso de semáforos, faixas de pedestre e principalmente pela falta de estacionamento. Tem-se a impressão de que há mais carros do que gente. O DFTV divulgou que só em 2011 foram vendidos 86.000 veículos no Distrito Federal. Isto mesmo: oitenta e seis mil veículos.
 
     Tudo isso transforma o mês de dezembro insuportável, com tudo que o caracteriza: barulho, correria, atropelos, ganância, consumismo desenfreado, presentes em demasia e sem sentido, tudo para atender as tais confraternizações, os surpreendentes “amigos ocultos” e tudo mais que faz parte desse ritual regado a muita bebida e muitas iguarias sobre as mesas. Somam-se a isso outros compromissos comuns nesta época: formatura, por exemplo. Esta inclui num pacote: missa/culto, colação de grau e baile. E aquela viagem programada? Os transtornos nos aeroportos? Haja data no mês de dezembro. Haja saco também. Não o do Papai Noel que, de tanto promover consumo, tornou-se objeto dele. Virou trabalho temporário para muitos. O mês de dezembro não comporta tantos eventos e pretensões. Nem tudo, porém, é ruim e desnecessário, é claro. Mas quase nada lembra ou tem a ver com  aquele que nasceu, viveu e morreu tão simples. Tão simples e de tal maneira humilde que, por lhe desconhecerem a dada de nascimento, deram-lhe como “aniversário” o 25 de dezembro.

LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 17/12/2011
Reeditado em 26/12/2011
Código do texto: T3393310
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