Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

ABRINDO ESPAÇOS

ABRINDO ESPAÇOS

Isabel C. S. Vargas


Necessitei fazer modificações no apartamento. Há muito já devia ter feito, mas por falta de tempo, comodismo, ou sei lá o que não tinha tido a coragem de iniciar. Fazem mais de 30 dias que comecei e ainda não consegui colocar as coisas em ordem. Na verdade, terei de descobrir qual a nova ordem, pois nada voltará a ficar como antes, o que é bom, pois renovou,abriu espaços, mudou a aparência externa, o que refletiu no interior de cada um visto que está proporcionando mais prazer para quem necessitava que tais modificações fossem realizadas e está mais adaptado às necessidades reais.
Muitas coisas que foram descartadas estiveram guardadas durante anos como sendo algo importante e, no entanto, nem lembrávamos delas, Qual a importância, então, se delas pudemos prescindir durante tanto tempo?
Na realidade foi um saudável exercício de desapego.
Creio que o fato de ter que fazer uma revisão atenta de tudo, de encontrar coisas esquecidas que estavam preenchendo espaços físicos, mas que não habitavam mais em nossa memória nos leva a repensar o porquê de tais atitudes.
Trabalhamos bastante para ter condições de comprar coisas que necessitamos (para encher espaços ou inflar o ego), depois nos queixamos do excesso. E assim vamos levando a vida num eterno desconforto, reclamando de algo por excesso ou por falta. Onde está o equilíbrio? Ele existe como fruto de nossas escolhas e ações. E, assim como mudar para voltar a ser o que era antes é exemplo de involução, mudar para estabelecer a mesma ordem é o mesmo que repetir os erros, trocar uma relação por outra semelhante (o que é muito comum, geralmente porque o erro está na pessoa que reincide).
Entre papéis já sem valor, roupas em desuso, recordações boas e outras nem tanto vou garimpando recordações, abastecendo a memória, reciclando sentimentos, doando os excessos, que supriram carências e que hoje só servem para nos deixar ilhado no passado sem transpor em definitivo as pontes que nos levarão a novos rumos. É certo que muitas vezes é o medo de empreender certas travessias que nos deixa prisioneiros no tempo já esgotado.
Então o acertado é olhar à frente, explorar novas possibilidade, novos caminhos sempre procurando equilíbrio para não viver em descompasso consigo, com os outros com o ambiente de modo a estabelecer bons fluxos de energia que não são permitidos quanto há excesso quer de coisas materiais que impedem a liberdade de movimento ou de emoções não trabalhadas, não elaboradas que impedem o crescimento.
Abrir espaços é libertar-se, abrir clareiras externas e internas, deixar que sentimentos sejam exteriorizados e se transformem, pois como diz a música, sentimento ilhado, morto amordaçado volta a incomodar.
icsvargas@gmail.com
Isabel C S Vargas
Enviado por Isabel C S Vargas em 04/02/2012
Código do texto: T3480508

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Isabel C S Vargas
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 67 anos
325 textos (67010 leituras)
1 e-livros (34 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/07/19 08:45)
Isabel C S Vargas