PATINANDO NAS EMOÇOES

Somos resultado da genética, do que vivemos, como vivemos, das nossas escolhas, do ambiente no qual estamos inseridos.

Se vivermos em um ambiente de medo, provavelmente seremos inseguros, cultivando temores, infundados ou não, que nos limitarão cada vez mais ,influenciando aqueles que vivem junto.

Em criança é medo de escuro, de bicho-papão (hoje em dia isto já não existe e as crianças nem sabem do que se trata) do velho do saco (numa alusão aos mendigos da época), dos ciganos (chamados por todos de beduínos) que supostamente roubavam criancinhas provando que as minorias já eram discriminadas em épocas que pouco ou nada se falava sobre inclusão social, diversidade e direitos humanos. Quando adulto é medo de avião,medo de nadar, de mudar o que não está bom, de dirigir automóvel, de empreender uma nova vida e tantas outras coisas que terminam por engessar as pessoas às crenças absurdas, limites criados internamente e lá mantidos à custa de sofrimento impedindo a quebra de paradigmas e reforçando idéias negativas que podem passar de uma geração à outra, até pelo exemplo.

Entre muitas novidades que foram oportunizadas nestes poucos dias fora , um em particular chamou minha atenção: a capacidade de minha neta de enfrentar desafios e supera-los. Claro que cabe a nós, adultos estarmos atentos, supervisionar para que sua segurança não esteja ameaçada , bem como incentivar para vencerem os medos, explicando tudo de forma clara, racional incutindo-lhe confiança , muitas vezes passando por cima de nossos próprios medos para não transmiti-los e deste modo perpetuá-los.

Foi com muita alegria que a vi insistir para que a deixássemos patinar no gelo,não sem certo receio é claro. Como de hábito, solicitou a presença de um ou outro junto a ela .

Pois lá se foram, ela e o avô a enfrentar a preparação. Colocação de joelheira, cotoveleira,capacete, amarrar patins cheios de excitação, ela pela novidade, ele por fazer algo que não fazia desde a adolescência.

Foi divertido, educativo observar crianças de variadas idades, jovens, adultos e até quase sexagenários a patinarem, muitos, a princípio, temerosos, posteriormente arriscando uns passos por conta própria para depois alçarem vôos mais ousados. São estas experiências que lhes mostrarão a sua capacidade de superar medos, vencer desafios, confiar na mão que se estende ou aprender que cair é aprendizado para se fortificar e além de exercício físico e emocional que mostra que só através do esforço e da superação crescemos e amadurecemos. Para os mais velhos reaviva emoções esquecidas , mostra que sempre é tempo de refazer caminhos, que a idade que importa é aquela da alma- sem cometer excessos ou loucuras,é claro- que as emoções e a alegria revigoram, afastam estresse, proporcionam saúde, dão colorido à vida e mostram que certos momentos felizes se eternizam na memória e no coração