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É NECESSÁRIO TER PARA DAR... E NÓS TEMOS!

A subsistência do homem é fundamentada na cooperação e troca. Dar um carinho, dar uma esmola, dar um emprego. Tudo isso equivale à troca mútua. Até uma esmola dada contém esta troca, pois o simples obrigado que se recebe ao final, já é sinônimo de que algo a outra pessoa também lhe deu. Um trabalho é oferecido em troca da sua capacidade. Um carinho é dado em troca de, no mínimo, um sorriso.

Mas para participar dessa cooperação, é necessário ter alguma coisa para poder oferecê-la.

Sempre nos foi ensinado que quem planta, colhe. Quem dá, recebe. Esse sistema de câmbio é parte inerente à humanidade. Mas muitas vezes, não temos o que dar naquela hora específica. Um exemplo é a procura de emprego. Necessitamos de dinheiro para comprar jornais; necessitamos de dinheiro para a condução quando nos é marcada uma entrevista; necessitamos de dinheiro para poder ter uma roupa apresentável, etc. Mas, neste momento em que estamos desempregados, é exatamente o dinheiro que nos falta. Como, então, conseguir dinheiro sem trabalho?

Todos temos muito a oferecer, porém o fator monetário nos impede, muitas vezes, de mostrarmos nosso potencial. Um exemplo é o pai de família (ou a mãe que sustenta a casa) estar muito preocupado(a) com as despesas e dívidas. No momento que está fazendo os cálculos para o final do mês, vem a criança e pede que lhe conte uma história. A resposta da maioria seria: depois meu filho, agora estou ocupado(a). Muitas vezes nos é pedida uma esmola e não temos dinheiro para dar à outra pessoa.

É aí que entram duas capacidades que nos foram dadas por quem nos criou. Uma é a paciência. Paciência para esperar o melhor momento de agir. Paciência para poder respirar fundo e não perder a chance de buscar no fundo do baú do seu íntimo, a lembrança de que você tem qualidades e que tem a chance de mostrá-las na hora pedida (um carinho ao filho, por exemplo, mesmo que esteja ocupado). E paciência para não deixar a esperança morrer. Outra capacidade é a criatividade. Criatividade para buscar diferentes meios de demonstrar carinho. Criatividade para mostrar seu potencial de uma forma nova, como nunca você tinha feito antes. Criatividade para extrair de pequenas e simples atividades, uma alavanca para vencer. Criatividade para mudar de emprego. Criatividade para achar novas formas de dar.

Quem nos criou nos deu essas capacidades, dentre outras. E a nossa cooperação com ele é que nós usemos nossas qualidades para intercambiar, para doar e receber. Mas também nos ensinou que quem possui mais, pode oferecer mais. Por isso uma chance a quem está desesperado. Por isso uma chance a quem lhe pede um carinho. Por isso um emprego a um mendigo. Tudo isso é uma forma de intercâmbio que pode e deve ser usado por todos, já que vivemos em uma sociedade fundamentada no dar e receber. E mesmo que dermos agora e não conseguirmos de imediato a resposta esperada, ela vem de uma maneira nova e diferente, mesmo que leve tempo.

Seria bom que déssemos aos outros o que temos de melhor. Seria muito bom que recebêssemos dos outros o que eles têm de melhor. Seria muito bom que todos entendêssemos que nem sempre o nosso “melhor” atende as expectativas dos outros. Seria muito bom se recebêssemos sem expectativas. Todos nós temos alguma coisa para dar. Todos nós temos alguma coisa para receber. Todos nós vivemos interligados, portanto, o que não vem de um, vem de outro e o que não chega agora, chegará depois.

Já lhe dei minha maneira de pensar. E você, a quem vai doar o melhor que você tem?
Alma Collins
Enviado por Alma Collins em 19/01/2007
Código do texto: T352439

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Sobre a autora
Alma Collins
São Paulo - São Paulo - Brasil, 58 anos
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Alma Collins