Essa tal felicidade

Felicidade é palavra que desperta interesse, para dizer o mínimo, além de gerar discussão. Seu significado varia conforme a pessoa, o local, a estação, o momento.

Incomoda o modismo da felicidade que paira no ar e gera os comentários pueris de Poliana. Na internet, então... Para quem não leu durante a infância, Poliana era uma menina, no primeiro livro, depois moça, no segundo livro de Eleanor H. Porter, que encontrava em tudo um motivo para a felicidade. Nada contra o otimismo. Muito pelo contrário. Quando posso escolher caminho limpo, escolho não chafurdar na lama. Mas como pessoa, sou continente de todos os sentimentos. Pensar em ter obrigação de demonstrar felicidade a todo instante, não só me incomoda como me irrita profundamente.

O modismo da felicidade, pelo que observo diariamente, é amplamente divulgado na internet. Parece um mundo de negativo de fotografia só que em cor de rosa. Todo mundo está feliz, está feliz, que nem a música dos “baixinhos”. Alguém poderia retrucar que no mundo da mídia, da aparência, o que se vende é a felicidade. Mas também não é verdade. Do contrário, não se venderia programas de horrores, como são alguns noticiosos e outros programas que exploram a miséria humana.

Mas afinal, falar de quem faz das tripas coração para provar para os outros (e para si) que é feliz não explica o que seria essa tal felicidade. Não faz muito tempo que a humanidade se preocupava apenas com a sobrevivência. Palavras como amor e felicidade era preocupação dos filósofos. Há comunidades inteiras onde ainda hoje o sonho de felicidade se confunde com o sonho de barriga cheia. Vem daí a exploração eleitoreira de alguns programas sociais como todos sabem.

Para algumas pessoas não existe felicidade, mas apenas momentos felizes. Para outras, como os budistas, a felicidade seria um estado de ser que abrange tudo, inclusive o sofrimento, diferenciando felicidade de prazer. O prazer, sim, seria coisa de momento. Confesso que simpatizo com esta ideia, mas não a compreendo de modo a praticá-la.

Há estudos e estudos sobre a felicidade. Um deles me agradou sobremaneira, onde a autora classificou três situações, excludentes entre si ou não, de felicidade. A felicidade de um dia bom. A felicidade de estar a serviço. A felicidade trazida pelo êxtase. O livro é “O Mito da Felicidade”. A autora é Jeniffer M. Recht, historiadora e filósofa.

Eis um apanhado, muito simplista, com a minha visão de mero buscador. Começando pela última, a felicidade pelo êxtase, seria rara, mas quem a sentiu ainda que uma vez, lança mão de sua lembrança para sustentar uma vida espiritual, por exemplo, ou a rotina de um casamento, outro exemplo. Impossível viver em êxtase o tempo todo, cuja busca obsessiva pela repetição poderia explicar o fanatismo ou o vício. A felicidade de um dia bom é aquela que ocorre quando, planejado ou não, tudo funciona a nosso favor em determinado dia. Imagino que todos já sentiram embora nem sempre se tenha, na ocasião, a ideia conceitual de felicidade. Por fim, aquela que chamei de a felicidade de estar a serviço, compreende o bem estar, que exige a determinação e a disciplina de fazer algo útil para si e para os demais. Estudar permanentemente para ser um bom médico, por exemplo. Ou a pessoa que planeja sua rotina diária de modo realista para que possa cumpri-la e ao final do dia se sinta satisfeita ainda que cansada.

Este é um simples ensaio e convite para que encontremos dentro de nós o que poderia ser a felicidade.













meriam lazaro
Enviado por meriam lazaro em 24/05/2012
Reeditado em 15/07/2012
Código do texto: T3685550
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