VAMOS DANÇAR QUADRILHA?

A partir de amanha nosso estado passa por uma grande transformação: começa o ciclo junino, no qual festejamos Santo Antônio, São João e São Pedro. E então, aceitam o convite para pular fogueira e comer milho assado, cozido, pamonha, mungunzá? Esse período será ótimo para as quadrilhas mostrarem o que se empenharam em vários ensaios, montaram novas coreografias e iram esbanjar simpatia nas apresentações. Toda essa muvuca que se começa a formar e que animará milhares de forrozeiros, podendo nos distrair das novas personagens que vão entrar em cena nos próximos dias em busca de um lugar ao sol, mas esses não sabem dançar e podem nos fazer dançar e é nesse momento que outros esperam para mostrarem uma coreografia não muito apreciável, mas que a cada dois anos se repetem.

As novas sensações entram em cena dentro de um mês com novas propostas e outras não tão novas, reforçando discursos, que como dizemos aqui “sem pé nem cabeça”, cheios de vagas promessas. Vamos ter que forçadamente assistir a belas imagens e o jogo do empurra-empurra. Mas quero confessar que na atual situação que me encontro sinto-me enjoado de ouvir, ver, ler o que será vinculado durante três meses no rádio, TV, carros de sons e na impressão escrita. Mais uma vez veremos cenas desagradáveis da pobreza e de milagrosas soluções e olha que nem precisaremos recorrer aos santos juninos para que esses milagres aconteçam e de fato não acontecem.

Ouviremos promessas utópicas e seremos seduzidos por sorrisos, apertos de mãos calorosos e sem contar os abraços que soaram verdadeiros durante segundos, mas não serão verdadeiros com aqueles dados a quem amamos. Teremos que queimar na fogueira, engolir cobras e sermos expulso pelas chuvas que por falta do cumprimento de promessas castigam os que foram ludibriados por nossos parceiros de dança.

Veremos se formar novas “Quadrilhas”, mas essas não dançam nada a sua coreografia envolve outros mecanismos de mostrarem toda a sua desenvoltura e aí ainda querem dançar quadrilha?

Espero não desestimular a ninguém. Espero que possamos escolher certeiramente os nossos parceiros de dança e que na apresentação dancem no mesmo ritmo que nós. Espero confiantemente que no fim dessa apresentação possamos exercer nosso poder de escolha e que escolhamos sabiamente os nossos dançarinos. E não se esqueçam de que somos responsáveis pelas nossas escolhas e que devemos sim escolher.